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10 May 2013 18h23

"Acabaram-se os canapés e as tábuas de charcutaria" no partido de Chirac e Sarkozy

“Acabaram-se os canapés e as tábuas de charcutaria. Os membros da União por um Movimento Popular (UMP) vão ter de se contentar com batatas fritas e amendoins nos actos do partido com sede em Paris”, assim descreve o “Le Monde” a chegada da crise ao partido fundado em 2002 por Jacques Chirac e refundado por Nicolas Sarkozy.
 
A UMP anunciou esta sexta-feira, 10 de Maio, que face às perdas em ajudas públicas, no valor de 14 milhões de euros, depois da derrota sofrida nas eleições presidenciais e legislativas, vai despedir ou não renovar o contrato a 50 funcionários do partido, para fazer frente à crise.
 
“Os despedimentos chegaram de surpresa, todos queremos saber quem vai ser o próximo da lista”, afirma um funcionário do partido citado pelo “El País”. Porém, o partido diz não se tratar de um despedimento colectivo, mas sim “de uma boa gestão”. No total, com a redução de 50 pessoas, o partido estima poupar cerca de três milhões de euros.
 
Com a derrota nas eleições, o maior partido da direita francesa viu serem reduzidos 14 milhões aos 35 milhões de euros anuais de subvenções, recebendo agora 21 milhões. Quando organiza um evento, o partido “preocupa-se mais com os custos do que com o impacto político que pode ter junto da população”, revela a secretária-geral do partido, Michèle Tabarot.
 
Para fazer face à dívida, que entre 2011 e 2013 aumentou 12 milhões de euros, a UMP pediu já empréstimos a quatro bancos no valor de 55 milhões de euros. Em contrapartida, os credores concederam cinco anos para que as contas do partido regressem ao equilíbrio financeiro. Assim, a UMP vai ter de poupar dez milhões de euros por ano até 2017.
 
Caso o partido não consiga pôr as suas contas em ordem no prazo estipulado poderá ser expropriado da sua sede, em Vaugirar, que é uma antiga fábrica da Renault, e custou 40 milhões de euros: 20 milhões para pagar o imóvel e outros 20 para a restauração do mesmo. Para fazer frente a esta despesa o partido pediu um crédito extra de 32 milhões de euros a outros bancos, que vai ter de pagar em 13 anos e meio.
 
Segundo o “El País”, a UMP deixou já de organizar eventos em grandes hotéis, o que permite uma poupança de um milhão de euros por ano. Diminuiu também os apoios às deslocações dos líderes e já não organiza almoços convívio para os dirigentes que se desloquem das pequenas cidades para as principais cidades.
 
As chamadas telefónicas e os jornais também já foram alvo de contenção. Agora, em Vaugirar os jornais são lidos exclusivamente na versão “online”. Também os candidatos agora eleitos vão ter de contribuir com 5% do salário para o partido, comparativamente com os 3% que tinham de dispensar.