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20 May 2013 12h30

Actividade económica abranda queda em Março e famílias cortam mais no consumo corrente

A Síntese Económica de Conjuntura, divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística esta segunda-feira, mostra que a actividade económica em Portugal continua em queda, mas um ritmo menos forte, enquanto o consumo das famílias inverteu em Março a tendência de recuperação dos meses anteriores.
 
O indicador de actividade económica, que mede de forma quantitativa a evolução da economia, registou uma queda de 2,7% em Março, menos uma décima do que o verificado em Fevereiro.  
 
Este indicador tem vindo a abrandar as quedas desde Junho do ano passado, sendo que de Setembro para traz as descidas eram superiores a 4%. Indica assim que a economia portuguesa persiste em recessão, embora esta esteja a perder intensidade.
 
De acordo com o INE, “a informação proveniente dos Indicadores de Curto Prazo (ICP), disponível até Março, revelou uma diminuição menos acentuada da actividade económica nos serviços, uma redução mais expressiva na construção e sinais contraditórios na indústria”.
 
Na semana passada o INE tinha revelado que o PIB recuou 3,9% em termos homólogos do primeiro, tendo recuado 0,3% em cadeia. Esta segunda-feira o INE adianta que a procura interna apresentou um contributo mais negativo para a variação homóloga do PIB, devido à redução mais acentuada do Investimento, com destaque para o comportamento da FBCF em Construção. Pelo contrário, observou-se um aumento do contributo positivo da procura externa líquida, reflectindo sobretudo a diminuição mais expressiva das Importações de Bens e Serviços.
 
Na Síntese Económica de Conjuntura publicada esta segunda-feira o INE recupera também os dados qualitativos da actividade económica, ou seja, o que diz respeito aos indicadores de confiança dos agentes económicos, que também apontam para uma recuperação. “O indicador de clima económico manteve em Abril o perfil positivo observado nos três meses anteriores, após ter registado o mínimo da série em Dezembro”, refere o INE.
 
Recuperação do consumo privado perde força
 
A contrastar com a melhoria na actividade económica, o indicador quantitativo para o consumo privado inverteu em Março a tendência de recuperação que vinha a registar de forma consecutiva desde o início de 2012.
 
O indicador registou uma queda de 3% em Março, quando em Fevereiro tinha diminuído 2,9%.
 
Os dados do INE mostram uma alteração significativa nos gastos das famílias, já que o consumo de bens duradouros está a cair de forma menos intensa, mas agravou-se a descida no consumo de bens correntes.
 
A queda no consumo corrente foi de 2,6%, a mais intensa em pelo menos 12 meses e bem acentuada do que a queda de 1,8% verificada em Fevereiro.
 
Já nos bens duradouros o consumo desceu 8,2%,sendo que em todo os 12 meses anteriores a descida fio sempre com uma taxa de dois dígitos.
 
Esta tendência das duas componentes do consumo mostra que as famílias portuguesas estão a cortar mais nas compras de bens correntes e a travar de forma menos forte a aquisição de bens duradouros, como automóveis e electrodomésticos.