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04 July 2013 11h19

Adly Mansour é o novo Presidente do Egipto

O Egipto tem um novo presidente. Menos de 48 horas depois de ter assumido funções como presidente do Tribunal Constitucional, Adly Mansour foi escolhido como presidente interino do país até às próximas eleições. Adly Mansour sucede assim a Mohamed Morsi, que foi deposto pelo exército nesta quarta-feira e se encontra agora detido no Ministério da Defesa. 
 
O golpe de Estado militar teve lugar na quarta-feira, no Egipto, depois de ter terminado o prazo do ultimato feito pelas Forças Armadas e que instava o então presidente Morsi a partilhar o poder com a oposição e a responder às reivindicações populares. Morsi não cedeu e acabou por ser deposto pelos militares.
 
O Ministro da Defesa do Egipto e comandante das Forças Armadas, Abdul Fattah al-Sisi, justificou, ontem à noite, que o golpe era o cumprimento da vontade popular, depois de dias de grandes protestos contra o governo de Morsi. "Vamos construir uma sociedade egípcia forte e estável, que não vai excluir qualquer um dos seus filhos", garantiu al-Sisi. O general explicou ainda que a chefia do Estado passa temporariamente para as mãos do presidente do Tribunal Constitucional, que a Constituição de cariz islamista ficará suspensa e que novas eleições presidenciais antecipadas serão marcadas.
 
Depois deste anúncio, pelo menos 14 pessoas morreram em confrontos entre apoiantes e opositores de Morsi, avança o “Guardian”. Segundo a BBC, o número de mortos desde domingo já atingiu os 50.
 
Entretanto, a AFP noticiou já que Morsi, desde Domingo em parte incerta, foi detido pelas Forças Armadas. Morsi “está retido de forma preventiva", afirmou um responsável militar à AFP, sugerindo que o ex-Presidente, que estava no poder há um ano e que foi o primeiro a ser eleito democraticamente no Egipto, poderia vir a ser perseguido judicialmente. Trezentos mandados de captura foram emitidos contra membros da Irmandade Muçulmana, entre os quais altos dirigentes, escreve a mesma agência.
 
Também os canais de televisão islamistas deixaram de emitir sinal, assim como a Al Jazeera.
 
"Segunda revolução" gera preocupação

A chamada "segunda revolução" no Egipto, dois anos e meio depois da deposição de Hosni Mubarak, está a preocupar chefes de Estado e responsáveis de vários países. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mostrou-se já “muito preocupado” com as consequências da deposição de Morsi. Também o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou na noite de quarta-feira que a "interferência militar" nos assuntos do país é um motivo de preocupação.
 
Já a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, apelou a um rápido regresso à democracia no Egipto. “Estou a acompanhar os desenvolvimentos mais recentes no Egipto e tenho perfeita consciência das profundas divisões na sociedade, das exigências populares para uma mudança política e dos esforços para alcançar um compromisso", afirma Ashton em comunicado. "Apelo a todas as partes para que regressem rapidamente a um processo democrático, incluindo a realização de eleições presidenciais livres e imparciais e a aprovação de uma constituição", acrescentou.