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06 May 2013 15h18

Américo Amorim: "Ia para a Europa em segunda classe em caminho-de-ferro, dormia em residenciais..."

“Quando comecei, em 1952, as pessoas, nesta zona, iam descalças para as fábricas e ganhavam 52$30 por semana. Estava no meio delas, entrava às sete da manhã e, como era semana inglesa, ficava até sábado às oito da noite”, afirmou o empresário na entrevista, onde recorda ainda outras passagens da sua juventude:
 
“Os dias de Verão, no mês de Agosto, eram para mim uma felicidade porque tinha mais tempo para aprender e ficava até às nove e meia da noite a aprender a escolher rolhas ou a traçar cortiça. E isso acontecia com satisfação. Nos dias maiores, os técnicos tinham mais disponibilidade para me explicar como as coisas funcionavam. Estive um ano a traçar cortiça”, afirmou.
 
“Durante os primeiros sete anos, fiz a formação da cortiça, viajei pelo mundo, estive quatro anos fora de Portugal para vender um único produto que eram rolhas para vinho. Conheci todos os países do mundo, comunistas e não comunistas, para ter uma visão do mundo, para idealizar um cenário que demorou 18 anos a materializar”, recordou.
 
“Levava uma mala com roupa e outra com amostras de rolhas. Ia para a Europa em segunda classe em caminho-de-ferro, dormia em residenciais. Só vendia rolhas, mas isso permitiu estar na Argentina, no Chile, na Austrália, no Extremo Oriente, na África do Sul, em toda a Europa”, disse.