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03 July 2013 13h56

Anacoreta acusa Portas de "irresponsabilidade" e quer CDS-PP a pronunciar-se no Congresso

Filipe Anacoreta, primeiro subscritor de uma moção de estratégia global ao XXV Congresso do CDS-PP, marcado para sábado e domingo na Póvoa de Varzim, não coloca a hipótese de a reunião magna ser adiada, considerando que é uma oportunidade para que se assumam "responsabilidades" no partido, desafiando concretamente Pires de Lima e Nuno Melo.
 
"Esta decisão do doutor Paulo Portas é uma decisão irreflectida, incoerente e totalmente irresponsável", afirmou Filipe Anacoreta, que não excluiu candidatar-se à liderança do CDS-PP.
 
Para o líder do AR, a decisão de Portas de se demitir do Governo "contradiz" o que o presidente dos centristas defendeu na sua moção ao Congresso e "atira o país para uma crise de enorme gravidade", que "põe em causa provavelmente os sacrifícios dos portugueses ao longo destes anos".
 
"O primeiro apelo que considero que é essencial fazer é um apelo de segurar o partido para que o partido não caia com o seu líder. Há que fazer um apelo aos governantes, aos dirigentes, aos principais responsáveis, para que não se precipitem, dêem a voz ao partido", declarou.
 
"Nós temos, por coincidência ou não, um congresso marcado para daqui a três dias, é a reunião magna, e no meu entender é a altura adequada para o partido se pronunciar e para tentar não seguir nesta precipitação para que o líder nos conduziu", sublinhou.
 
Questionado sobre se defende que o partido continue a apoiar o Governo sem Paulo Portas, Filipe Anacoreta respondeu: "Acho que nós temos que fazer todo o esforço para pôr o país acima do partido e as circunstâncias pessoais de cada um subordinadas ao interesse do partido e ao interesse do país. Foi assim que o doutor Paulo Portas sempre afirmou que faria e é isso que nesta altura nós temos também que fazer".
 
"Encaro como muito desejável que este congresso seja uma oportunidade para todos no CDS assumirem a sua responsabilidade e refiro-me em concreto ao doutor António Pires de Lima, ao doutor Nuno Melo, ambos primeiros subscritores de uma moção", desafiou.
 
Filipe Anacoreta admite a sua própria candidatura à liderança do CDS-PP, mas ainda não a assume como certa, embora diga explicitamente que os subscritores da sua moção vão "a jogo", como "uma voz de futuro", e que "é altura de trabalhar na sucessão do doutor Paulo Portas".
 
"Num momento em que há uma grande crise e há uma grande divisão no país, nós temos condições para assegurar a lealdade institucional. Num momento em que há um excesso de mediatismo, um excesso de preocupação em vender ilusões aos portugueses, nós estamos disponíveis para falar a partir do concreto e encontrar soluções reais para os problemas das pessoas", afirmou.
 
"Em relação à candidatura, não é a única questão nem nos parece que seja a essencial no congresso. É o congresso que determinará essa possibilidade, nós não afastamos essa possibilidade", disse.
 
O primeiro-ministro, Passos Coelho, fez uma declaração ao país na terça-feira à noite após a demissão de Paulo Portas de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, que é também líder do CDS-PP, parceiro de coligação do PSD no Governo.
 
Pedro Passos Coelho frisou que não se demitiria do cargo de primeiro-ministro, manifestou-se surpreendido com o pedido de demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, e adiantou que iria procurar com o CDS-PP garantir as condições de estabilidade do executivo.