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12 June 2013 08h13

António Borges: Portugueses estão "muito alinhados com necessidade de pôr o país no bom caminho"

Os portugueses reconhecem que “a situação não podia continuar como estava” e estão “muito alinhados” com o rumo do país, defendeu António Borges em entrevista à Rádio Renascença.
 
“O que há de mais construtivo em Portugal, é que há da parte dos portugueses, não só dos trabalhadores e em particular dos desempregados, mas também das famílias, um certo reconhecimento de que a situação não podia continuar como estava”, reforça o consultor do Governo para as privatizações, que diz não ver sinais de falta de coesão em Portugal. “Vejo as pessoas até muito alinhadas nos seus comportamentos com a necessidade de pôr o país no bom caminho”, sustenta.
 
Para António Borges, mais do que as medidas de austeridade, o “grande factor de recessão no nosso país foi a queda no consumo e isso ficou a dever-se sobretudo ao aumento dos níveis de poupança” dos portugueses, para “níveis normais”. 
 
Afastando o cenário de crise política, António Borges defende Cavaco Silva, afirmando que a posição do Presidente da República “não tem nada que ver com preferências políticas ou partidárias”, mas com o reconhecimento de que ir para eleições agora seria “absolutamente catastrófico”.
 
“Seria absolutamente impensável” eleições legislativas antecipadas nesta altura, refere
Não há nenhuma solução diferente que seja melhor. Estamos claramente no bom caminho.
 António Borges António Borges, reconhecendo que “há ali um pequeno combate nos dois partidos para ver quem fica com o ónus politico” das decisões que estão a ser tomadas. Mas “não consigo perceber como alguém no actual governo poderia levar a uma ruptura” do Executivo. “Na situação como o país está, ninguém lhe perdoaria”. 
 
António Borges critica a decisão do Tribunal Constitucional em chumbar quatro normas do Orçamento, que representam “um obstáculo ao progresso mais rápido” de Portugal. “Não sou jurista nem constitucionalista, mas sempre achei uma decisão incompreensível. Como economista não consigo ver a lógica daquelas decisões”.
 
O ex-responsável do FMI para a Europa considera que “não há nenhuma solução diferente que seja melhor”, face à que está a ser seguida actualmente. “Estamos claramente no bom caminho”, diz António Borges, salientando o “reconhecimento dos esforços que o país fez. Se agora parássemos seria deitar tudo a perder”.