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11 July 2013 08h49

Banif perde 11% e acumula desvalorização superior a 38% em três dias

Os títulos do banco liderado por Jorge Tomé recuam esta manhã 11,67% e negoceiam nos 5,3 cêntimos. O banco segue em queda há três sessões consecutiva, tendo perdido mais de 16% nas sessões de terça e quarta-feira.
 
As acções do Banif acumulam assim, em três dias, uma desvalorização de 38,3%.  
 
O movimento em bolsa segue-se ao arranque da segunda fase do plano de capitalização. Depois de ter conseguido 100 milhões de euros junto dos investidores de referência (Açoreana Seguros e pela Auto-Industrial SGPS), o banco iniciou a venda de 10 mil milhões de acções nos seus balcões. O objectivo é encaixar outros 100 milhões de euros, já que cada acção será vendida a 1 cêntimo. Foi este o valor pago pelo Estado quando injectou 1,1 mil milhões de euros no banco.
 
Depois desta venda no retalho, designada de oferta pública de subscrição de acções, o banco irá emitir 225 milhões de obrigações, cada uma a um euro, para arrecadar 225 milhões de euros. Estas serão destinadas aos accionistas do banco (mesmo aos que tenham comprado acções neste período).
 
O prazo de subscrição das acções estende-se desde segunda-feira, 8 de Julho, até 19 de Julho. A 22 de Julho são conhecidos os resultados. Depois, a 26 do mesmo mês, inicia-se o período de subscrição de obrigações, que se prolonga até 29 de Julho. Nesse dia deverão ser conhecidos os resultados.
 
O Banif anunciou que a primeira subscrição, a das acções, está dependente do sucesso da segunda, a das obrigações. Se a venda de obrigações não se concretizar, haverá lugar à devolução do valor pago pelos accionistas no aumento de capital. O que pode pôr em risco a redução da posição do Estado no banco. O objectivo da subscrição de acções, no valor de 100 milhões de euros, é o de que reduzir a posição do Estado, actualmente em 87%, para 77%.
 
Faltam, contudo, ainda 250 milhões de euros para que o Banif concretize o aumento de capital de 450 milhões de euros que tem de empreender - que levará o Estado a ter uma posição de apenas 60% no banco. 200 milhões deverão ser conseguidos com a negociação de uma parceria estratégica com um novo investidor de referência, que o Negócios avançou ser um banco sul-americano. A colocação de 50 milhões junto de investidores com ligações ao grupo seria outro objectivo.
 
Um dos riscos da operação, que é admitido pelo banco no prospecto da operação, é que ainda não está definido, pela Comissão Europeia, o plano de reestruturação que o banco terá de levar a cabo como forma de compensar o facto de ter recebido uma injecção de 1,1 mil milhões de euros do Estado. A decisão da Direcção-Geral de Concorrência deveria ter sido tomada até o final de Junho.