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19 June 2013 14h17

CDS: Auxílio à Grécia e Chipre "é próprio de crianças e não de decisores políticos"

A moção que os eurodeputados Nuno Melo e Diogo Feio levam ao congresso do CDS sublinha que Portugal “não é, nem deve ser, acrítico do modelo [de resgate] que nos está a ser imposto”. “Sobretudo quando são tão flagrantes as suas deficiências e tão grandes as diferenças entre o discurso das lideranças políticas e a prática dos técnicos”, criticam os centristas.
 
A moção critica a falta de coincidência entre o que dizem os políticos, os líderes das instituições que compõem a troika, e o que depois é dito pelos técnicos. “Já não é a primeira vez que as afirmações dos primeiros são negadas pelos últimos. Isto mina a confiança e põe em causa toda a União Económica e Monetária”, observam, subscrevendo o discurso de António José Seguro, líder do PS, que pediu à troika que a sétima avaliação do ajustamento português fosse política e não apenas técnica.
 
A situação é ainda mais grave quando o assunto são os resgates à Grécia e a Chipre. “Também não é possível manter uma situação em que o processo de decisão política é inconsequente, mal conduzido e quase infantil”, atiram os eurodeputados, numa moção que também é subscrita por Luís Queiró. “Também isso destrói a confiança dos cidadãos, dos investidores e dos mercados”, avisam.
 
“Aquilo a que se assistiu relativamente às situações da Grécia e de Chipre não se pode repetir”, reprovam os eurodeputados. “Não é aceitável que se decida e não se pense nas consequências da decisão”, até porque “tal é próprio de crianças e não de decisores políticos com a responsabilidade daqueles que se sentam no Conselho Europeu ou no Eurogrupo”. Os eurodeputados exigem que as decisões sejam concentradas nos líderes das instituições e não nos técnicos.
 
Programa de ajustamento conduz inevitavelmente à recessão
 
“Rigidez”, “padronização”, falta de “realismo” que conduziu a uma “crise económica sem precedentes”. A moção que os eurodeputados do CDS levam ao congresso do partido tem também palavras duras para com o programa da troika, que aplicou medidas duras que levaram a economia a cair, e que não se coaduna com a realidade. Os centristas defendem bom-senso e flexibilidade no ajustamento, para “não matar de exaustão e desespero quem o empreende”.
 
“Uma preocupação excessiva com o controlo imediato do défice e da dívida – aliadas a uma contracção generalizada da economia europeia e ao aumento do desemprego – têm tornado a recessão inevitável”, lê-se no documento. Nuno Melo e Diogo Feio entendem que “não existe realismo em alguns dos objectivos fixados nos programas de ajustamento”.
 
A receita da troika, aliás, “criou um ciclo vicioso de contracção do PIB, aumento do desemprego, quebra da actividade económica e aumento consequente de alguma despesa do Estado o que, em última análise, agrava o défice”, reconhecem. “É preciso rigor, mas é também necessária flexibilidade e, sobretudo, bom senso”.
 
“As dívidas são para pagar”, mas isso “não pode ser feito à custa das famílias e das empresas”, nem pode ser “uma hipoteca do futuro”. “Tem que ser um caminho sustentável de rigor, mas flexível o suficiente para não matar de exaustão e desespero quem o empreende”, defendem os eurodeputados.