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09 July 2013 13h50

CIP condena "irresponsabilidade" política mas rejeita eleições antecipadas

"Não defendemos eleições, entendemos que no quadro parlamentar existem soluções. Não sei se o Presidente da República vai validar a solução que o primeiro-ministro lhe apresentou, mas defendo que no quadro parlamentar existem soluções para ultrapassar esta crise, em que irresponsavelmente nos colocaram", afirmou António Saraiva em declarações aos jornalistas à margem da Conferência "Processo da Reforma do Estado -- O Estado Social e o Crescimento Económico", promovida pela CIP - Confederação Empresarial de Portugal.
 
António Saraiva considera que a crise política causada pelas demissões sucessivas dos números dois e três do Governo causaram "enormes danos" ao país, colocando-o "no olho do furação".
 
"Esta é a tempestade perfeita, da qual felizmente penso que começamos a vislumbrar alguma saída, mas lamento a irresponsabilidade política, que pôs em causa um dos pilares fundamentais que era a estabilidade política", acrescentou.
 
Quanto à alternativa à continuidade do Governo através do recurso a eleições antecipadas, o presidente da CIP considerou que a solução levaria "a um enorme atraso das instituições, porque até termos eleições, um novo governo e o Orçamento do novo Governo estaríamos a falar em Março de 2014. E o país não pode esperar, a economia, as empresas não suportam mais atrasos no seu desenvolvimento".
 
António Saraiva deixou ainda algumas observações em relação ao tema da conferência que a CIP promoveu, o da reforma do Estado, considerando que é uma questão que "vai para além de uma legislatura".
 
"Não podemos pensar a reforma do Estado, como não podemos reduzir o défice, em dois anos", afirmou. Porém, essa discussão "tem que ser rapidamente iniciada", acrescentou.
 
"A fazer fé no que o primeiro-ministro nos disse, que na última reunião extraordinária do Conselho de Ministros há quinze dias, o Governo terá recebido um 'draft' [rascunho] do então ainda ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, aguardo que esse trabalho não seja abandonado, que veja a luz do dia e que rapidamente se apresente ao país uma reforma do Estado digna desse nome, e não medidas avulsas como aquelas que nos têm surpreendido", sublinhou.