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28 June 2013 12h18

Comércio em Portugal está a recuar desde Janeiro de 2011

Há 29 meses consecutivos que o comércio a retalho em Portugal apresenta uma quebra do volume de negócios.
 
O índice que mede o volume de negócios alcançado no comércio a retalho (em que os bens e serviços são vendidos directamente aos consumidores) resvalou 3,5% em Maio quando comparado com o mesmo mês do ano anterior, o que representa um agravamento face à quebra homóloga de 2,1% verificada em Abril.
 
De acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o índice apresenta variações negativas desde Janeiro de 2011, já que no mês anterior o volume de negócios estava estagnado. Para encontrar uma variação positiva é necessário recuar até Agosto de 2010.
 
Portugal enfrenta uma delicada situação financeira desde o final de 2010 e início do ano seguinte (no princípio de 2011, já se falava na necessidade de um pedido de intervenção externa para impedir a bancarrota do País). A implementação de medidas de austeridade com impacto sobre o consumo é uma realidade, pelo que se justifica a tendência negativa do comércio a retalho desde aí. E esses efeitos sentem-se, pelo menos, até Maio de 2013, o último mês para o qual há dados.
 
O desempenho negativo registado pelo sector do comércio a retalho no mês passado deve-se, essencialmente, à inversão do comportamento dos produtos alimentares, que passaram de uma variação positiva de 2,9% em Abril para uma descida de 2,1% no mês seguinte. Já os produtos não alimentares obtiveram um declínio menos intenso do que em Abril (5,1% face a 7,3%). A variação negativa dos produtos não alimentares é a menos expressiva em pelo menos um ano.
 
O índice de emprego, que tem mantido um desempenho estável embora com uma tendência ligeiramente de subida no último ano, caiu, em termos homólogos, 4,8% em Maio, em comparação com os 4,9% do mês anterior, segundo o INE.
 
Já no que diz respeito às remunerações pagas no sector do retalho, a diminuição homóloga em Maio foi de 8%, a mais intensa desde 2011. O volume de trabalho, que é medido através das horas trabalhadas (ajustada dos efeitos de calendário – comparação com os dias de trabalho ou com a existência de fins-de-semana) desceu 4,3% em Maio quando comparado com o mesmo mês do ano passado, o que reflecte uma melhoria face à variação negativa de 6,9% de Abril.