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29 June 2013 09h00

Como é que o ex-funcionário da CIA está há tanto tempo às portas da Rússia?

O analista informático que trabalhou numa empresa subcontratada pelaCIAe pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla original) está refugiado no aeroporto de Sheremetyevo, em Moscovo, desde o passado domingo, 23 de Junho, confirmou o presidente russo Vladimir Putin, já na terça-feira. Os passageiros apenas podem permanecer na zona de trânsito do aeroporto durante um máximo de 24 horas, ou três dias no caso de terem um visto de trânsito.
 
Então como é que Snowden está já há quase uma semana sem visto nesta zona do aeroporto, sem entrar no território russo e sem ser expulso pelos russos? O Negócios questionou o aeroporto Sheremetyevo. “Um passageiro em trânsito sem visto pode permanecer num aeroporto russo durante 24 horas ou mais, em caso de emergência”, explica fonte oficial.
 
“De acordo com a lei da Federação Russa que regula as entradas e saídas do país, um atraso inesperado durante a transferência de um meio de transporte para outro, num ponto de transferência, pode ser considerado como uma emergência inesperada”, prossegue a mesma fonte. Ou seja, Snowden pode ter alegado uma questão semelhante para se manter no aeroporto.
 
Questionada sobre se Snowden pode entrar na Rússia sem um passaporte válido – os Estados Unidos revogaram-lho –, a mesma fonte explica que essa questão não é do âmbito dos serviços do aeroporto.
 
Zona de trânsito tem hotéis e restaurantes
 
Snowden pode circular por uma área considerável no aeroporto do Sheremetyevo, que é comum aos terminais D, E e F. Vários jornalistas tentaram encontrar o analista de sistemas pelo aeroporto, mas nenhum foi bem sucedido. O Negócios perguntou ao aeroporto se estava a ajudar Edward Snowden. “Não está a ser concedido nenhum apoio”, afiançou fonte oficial. 
 
Porém, não será difícil ao americano de 30 anos passar despercebido. “Lembre-se que há várias oportunidades na zona de trânsito, como companhias aéreas, lojas ‘duty-free’, restaurantes, bancos, hotéis e internet sem fios”, sublinha o aeroporto de Sheremetyevo.
Equador concede salvo-conduto – e revoga-o
 
Edward Snowden pediu asilo político ao Equador, o mesmo país que está a auxiliar Julian Assange. O fundador da WikiLeaks está refugiado há um ano na embaixada equatoriana de Londres para evitar a extradição para os Estados Unidos.
 
Foi precisamente essa embaixada, e o respectivo cônsul, que emitiu um salvo-conduto para permitir que Snowden chegue a Quito, a capital do País, sem documentos. No salvo-conduto pede-se às autoridades dos países que acolham Snowden para permitirem que o americano prossiga viagem até ao Equador.
 
Porém, o presidente do Equador já declarou que o documento não é válido, porque foi passado sem autorização. De acordo com o “Guardian”, esta posição de Rafael Correa surge porque há receios de que Julian Assange esteja a ficar com os créditos da ajuda que o país da América Central está a prestar a Edward Snowden.
 
“A situação de Edward Snowden é complexa e nós não sabemos como é que ele a vai resolver”, declarou esta sexta-feira Rafael Correa. O presidente também afirmou que o pedido de asilo político ainda não começou a ser analisado, porque exige a presença de Snowden ou em território equatoriano ou numa embaixada do país, algo que não aconteceu.
 
O americano continua no aeroporto de Sheremetyevo e as possibilidades de deixar a Rússia até ao Equador estão mais difíceis. Lonnie Snowden, pai do analista informático, declarou, entretanto, que o filho aceitaria regressar ao país se não fosse detido antes do julgamento. O “Guardian” nota, contudo, que esta posição pode não ser a de Edward Snowden, uma vez que ambos já não falam desde Abril.