Go back
02 May 2013 12h01

Dívida italiana custa 5% do PIB em juros

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apelou esta quinta-feira ao novo Governo italiano, liderado por Enrico Letta, para prosseguir os esforços de consolidação orçamental, argumentando que os custos sociais de curto prazo resultantes das políticas até agora seguidas por Mário Monti “estão a ser recompensados pelo retorno da confiança dos mercados e de melhores perspectivas em relação ao médio prazo”.
 
No estudo anual sobre Itália, divulgado nesta quinta-feira, 2 de Maio, a OCDE recomenda a Roma que não intensifique, porém, as políticas de austeridade e que as oriente para cortes na despesa pública.
 
Argumenta a OCDE que é preciso não comprometer excessivamente a produção, que terá de ser relançada com a ajuda de reformas estruturais que incluam mudanças no sistema de protecção no desemprego, e ao mesmo tempo não abandonar o objectivo de reduzir a dívida pública que deverá subir em 2014 para um novo recorde, de 134,2% do PIB, passando a consumir um também recorde de 5% do PIB só em juros.
 
“Um novo aperto orçamental teria efeitos transitórios negativos sobre a produção, mas teria a vantagem de produzir uma redução da dívida mais rápida e, consequentemente, um menor risco de novas reacções negativas dos mercados de capitais”. Contudo, com um rácio dívida/Produto Interno Bruto (PIB) próximo dos 130% e um calendário de reembolsos carregado, a Itália continua exposta a bruscas mudanças de humor dos mercados financeiros. Uma redução importante e duradoura da dívida é, portanto, a prioridade orçamental número um", refere a organização liderada por Angél Gurría, que calcula que só em 2030 (e num cenário benigno de manutenção de excedentes orçamentais estruturais equivalentes a pelo menos 2% do PIB) Itália consiga reduzir a dívida para a casa dos 60% recomendados no Tratado de Maastricht que abriu caminho ao euro.
 
As medidas orçamentais devem "incidir sobre o controlo da despesa", recomendando a OCDE que se reestruture igualmente o sistema fiscal para “reduzir as distorções económicas, incluindo a redução das despesas [ou benefícios] fiscais”.
 
A OCDE prevê que o PIB italiano volte a recuar 1,5% este ano, seguindo-se uma retoma modesta em 2014, ano em que a terceira maior economia do euro deverá crescer 0,5%. Entre os mais de 30 membros da organização, Itália foi o único cujo o PIB real per capita recuou em média (-0,1%)entre 2000 e 2011. O segundo pior desempenho coube a Portugal, com um crescimento residual de 0,2%.