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09 July 2013 17h37

Empresas francesas e alemãs serão as maiores beneficiárias da política de baixos juros

As empresas sedeadas na Zona Euro têm de pagar anualmente cerca de 154 mil milhões de euros em juros aos bancos pelos empréstimos contratados, o que representa 14% dos seus lucros antes de impostos. A descida agressiva das taxas de juro de referência, associada à recente promessa do Banco Central Europeu (BCE) de que manterá durante um longo período o custo do financiamento aos bancos baixo (actualmente 0,5%) ou até mais baixo, deverá levar a que este encargo global seja reduzido em um quinto (menos 27 mil milhões de euros) nos próximos cinco anos, à medida que as empresas substituem velhas linhas de crédito por novas mais baratas.
 
A capacidade efectiva de as empresas se refinanciarem a menores custos será, no entanto, consideravelmente maior em países como a França e a Alemanha, onde a correia de transmissão da política monetária tem funcionado bem (ou seja, as descidas de juros do BCE são rápida e amplamente reflectidas em descidas dos juros cobrados pelos bancos a empresas e famílias) e os contratos de crédito são, em média, de menor duração, podendo assim serem mais substituídos de forma mais célere. Já nos países da periferia do euro, a situação é distinta e pode gerar resultados de sinal contrário.
 
O "Financial Times" fez contas aos ganhos potenciais e chegou à conclusão de que os maiores beneficiários da política de baixos juros do BCE serão as empresas sedeadas em França (onde as as taxas de juro cobradas às empresas, em particular às PME, têm sido as mais baixas da UE) e na Alemanha. Partindo do pressuposto de que todos os empréstimos serão refinanciados a uma taxa de 2,1%, as empresas francesas poderão poupar 9 mil milhões de euros em juros e as alemães 13 mil milhões de euros.
 
Os custos dos empréstimos das empresas italianas deverão cair apenas 1,5 mil milhões de euros, ao passo que “Espanha e Portugal tenderão a observar um ligeiro aumento, porque o custo de novos empréstimos é maior do que os custos médios dos empréstimos existentes, de acordo com dados do BCE”, escreve o "Financial Times".