Go back
21 April 2013 15h02

Ferro Rodrigues quer novo Governo liderado pelo PS e com o máximo de representatividade democrática

Em entrevista à agência Lusa a uma semana do Congresso do PS, Ferro Rodrigues, secretário-geral do PS entre 2002 e 2004, considera que Portugal "está numa situação muitíssimo grave do ponto de vista económico, social e político, e que a democracia portuguesa vive momentos muito conturbados".
 
"A alternância como é costume não chega, visto que os portugueses estão - como manifestam em todos os estudos de opinião - fartos de promessas não cumpridas e fartos de uma determinada forma de combate político-partidário que parece colocar em segundo plano os interesses da população e os interesses nacionais", adverte o ex-ministro dos governos de António Guterres.
 
Para Ferro Rodrigues, após o fim do actual Governo PSD/CDS e a realização de eleições, "é essencial um programa político, económico, social e financeiro que tenha poucos pontos - pontos que sejam bastante claros e que permitam a Portugal sair desta crise terrível em que está mergulhado".
 
"A situação em que estamos é excepcional. Aliás, como foi excepcional a situação a seguir ao 25 de Abril [de 1974], em que estiveram nos governos os partidos todos que representavam interesses políticos e sociais divergentes. Estamos numa situação parecida, no meio de uma crise muito grave em termos nacionais e em que é necessário em primeiro lugar construir esse programa, e depois estar disponível para trabalhar com todos aqueles que apoiem esse programa. Espero que seja isso que se passe", acentua.
 
De acordo com o actual vice-presidente da Assembleia da República, nos últimos dois anos, o país sofreu o impacto de "um programa radicalizado" proveniente da 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional).
 
"Um programa que leva o país à desgraça económica, à desgraça social e, eventualmente, à desgraça política, sem resolver os problemas financeiros que estiveram na origem deste mesmo programa. Nos últimos dois anos, também ficou provado que uma maioria absoluta no parlamento não chega. Não chega se não tiver uma base social muitíssimo mais representativa", sustenta.
 
No atual momento, de acordo com Ferro Rodrigues, "é necessário um programa muito claro", permitindo que "haja capacidade de debater e negociar com a 'troika' o que correu mal e de promover uma viragem total nas políticas levadas à prática".
 
"Em segundo lugar, para que Portugal tenha força junto dos credores e interlocutores internacionais, é preciso que o país esteja o mais unido possível. É necessário um apoio muito maior do que é normal a um Governo que venha a sair de futuras eleições, que quanto mais cedo se realizarem melhor, porque cada dia que passa com esta governação e com estas políticas é o caminho para o desastre prosseguir", acusa.
 
Interrogado se, para esse futuro executivo com representação de amplos sectores nacionais, conta com uma mudança a prazo na cúpula do PSD, Ferro não exclui esse cenário, alegando que "já hoje há muitas vozes no PSD, vozes de pessoas que sempre defenderam posições da social-democracia, que têm denunciado a irracionalidade do programa que está a ser levado à prática".
 
"Isso acontece também em algumas vozes do CDS e acontece evidentemente com particular força nos partidos da esquerda parlamentar [Bloco de Esquerda e PCP]", afirma.
 
No caso do seu partido, Ferro Rodrigues diz que confia que "o secretário-geral, António José Seguro, mantenha com coragem e determinação uma posição firme contra a tentativa de cerco que a 'troika' e o Governo fazem ao PS para tentar que se corresponsabilize por políticas erradas, que são um desastre para os interesses nacionais".
 
"Confio que não só faça isso, mas também que, num momento decisivo, que é o momento pós-eleitoral, esteja disponível para essa abertura", acrescenta.