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19 June 2013 11h42

FMI defende redução de salários em Espanha para travar despedimentos

"Pensamos que poderá haver um melhor balanço entre mais moderação de salários e menos ajuste na perda de emprego", disse James Daniel, responsável da missão do FMI em Espanha
 
Em conferência de imprensa para apresentação do relatório da instituição sobre a economia espanhola, Daniel sublinhou que "os salários estão praticamente iguais ao que estavam em 2007, e em termos nominais até subiram".
 
Este relatório, elaborado anualmente pelo FMI, servirá de base para as previsões que a instituição apresentará no final de Julho.
 
Daniel insistiu que Espanha tem um "grave problema" com o desemprego, que se afigura "uma emergência" e que requer alterações nas políticas.
 
"Isto é uma crise. A ideia de que os salários não estão relacionados com o emprego é errada. Espanha precisa urgentemente de criar empregos. Temos que ter mais flexibilidade nos salários para o futuro", afirmou.
 
Na sua análise, James Daniel e o subdirector do departamento da Europa do FMI, Ranjit Teja, defendem novos acordos, no âmbito de uma nova reforma laboral, entre empresários e trabalhadores para acelerar o ajuste de salários.
 
A reforma laboral, considera o texto do FMI, deve entre outros aspectos reduzir a indemnização por despedimento, reduzir o número de contratos, simplificar a contratação colectiva e reduzir a taxa social única.
 
A instituição reconhece que a reforma laboral aprovada no ano passado -- e que suscitou forte contestação social e sindical - representou melhoras significativas e está a ter impacto, mas é insuficiente para reduzir uma taxa de desemprego "inaceitavelmente elevada" especialmente num contexto económico difícil.
 
Para o FMI, um incremento significativo no emprego e uma redução da inflação "serão cruciais" para que a redução de salários não penalize a capacidade aquisitiva dos lares.
 
O FMI propõe melhorar a flexibilidade interna das empresas para que não recorram ao despedimento mediante uma reforma mais profunda da negociação colectiva.
 
E considera que são necessários melhores serviços de colocação e formação, e políticas "mais ambiciosas" para determinados grupos, como jovens e trabalhadores de baixa qualificação, que deveriam incluir incentivos fiscais à sua contratação.