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19 April 2013 19h36

G-20 quer continuar a travar desvalorizações cambiais forçadas

Os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais do G-20, que estiveram esta sexta-feira, 19 de Abril, reunidos pelo segundo e último dia em Washington, reafirmaram o compromisso no sentido de evitarem fragilizar as suas moedas com o intuito de ganharem vantagens comerciais.
 
Uma das grandes questões em debate tem sido, de facto, a chamada “guerra cambial”, uma vez que uma moeda mais fraca permite maiores exportações, o que confere vantagem comercial aos países com divisas depreciadas. Agora, o G-20 reiterou o compromisso de rumar rapidamente a um regime de flutuações cambiais determinadas pelo mercado, evitando os “persistentes desalinhamentos das divisas”.
 
Retoma da Zona Euro está ainda por se materializar e união bancária é urgente
 
Os responsáveis do G-20 comprometeram-se também a tomar medidas no sentido de
impulsionar a economia mundial. Esta declaração levou, na sessão de hoje dos mercados, a uma menor procura de activos mais seguros, como as Obrigações do Tesouro norte-americanas, cujos juros estão agora a subir.
 
Em contrapartida, o petróleo, o ouro e a generalidade dos mercados accionistas estiveram a ganhar terreno com este compromisso do G-20.
 
“A economia global tem evitado alguns riscos de cauda significativos e as condições dos mercados financeiros continuam a melhorar. No entanto, o crescimento global continua a ser demasiado fraco e o desemprego mantém-se demasiado elevado em muitos países. A retoma continua a ser irregular e está a progredir a diferentes velocidades, com os mercados emergentes a registarem um crescimento relativamente forte, os EUA a demonstrarem um reforço gradual do consumo privado e a retoma na Zona Euro, como um todo, a precisar ainda de se materializar”, diz a declaração final divulgada pelo G-20.
 
“A incerteza política, o desendividamento do sector privado, os apuros orçamentais, a imperfeita intermediação do crédito e o reequilíbrio ainda incompleto da procura mundial continuam a pesar nas perspectivas para o crescimento mundial”, advertem, sublinhando que muitas economias se deparam ainda com problemas a médio prazo, incluindo desafios ao nível da sustentabilidade orçamental e da estabilidade financeira”.
 
“Manter a sustentabilidade orçamental nas economias avançadas continua a ser essencial”, salienta o G-20 na sua declaração conjunta. A este propósito, refere que são necessários mais avanços no sentido de delinear um plano de consolidação orçamental de médio prazo para os EUA e que o Japão deve definir um programa orçamental credível para o médio prazo.
 
Quanto à Zona Euro, “os alicerces da união económica e monetária devem ser melhorados, nomeadamente através uma transição urgente para a união bancária, de uma redução adicional da fragmentação financeira e do contínuo reforço dos balanços da banca”.
 
“As economias com grandes superavits devem ponderar a tomada de mais medidas para promover as fontes internas de crescimento. Continuaremos a implementar reformas estruturais ambiciosas para reforçar o nosso potencial de crescimento e criar empregos”.
 
Os ministros das Finanças e os banqueiros centrais do G-20 destacam também “a importância, para o investimento, do financiamento de longo prazo, incluindo em infra-estruturas, já que fomenta a expansão económica e a criação de postos de trabalho”.
 
Neste documento, os responsáveis do G-20 referem também que estão conscientes dos efeitos negativos da flexibilização monetária.
 
Recorde-se que o G-20 é constituído pelos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais das 19 economias mais desenvolvidas do mundo e da União Europeia como um todo.