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21 June 2013 17h27

Investigação aprofundada da Concorrência atira Zon e Sonaecom para quedas acima de 4%

Os analistas antecipavam um impacto negativo e foi o que aconteceu. As acções da Zon Multimédia e da Sonaecom reagiram negativamente à notícia que dá conta de uma investigação aprofundada por parte da Autoridade da Concorrência à operação de fusão entre a Zon e a Optimus.
 
As acções da dona da TV Cabo resvalaram 5,94% para os 3,61 euros na sessão desta sexta-feira. É a maior queda desde 22 de Maio do ano passado. A empresa dirigida por Rodrigo Costa consegue, ainda assim, resistir às perdas semanais, graças aos fortes avanços de segunda e terça-feira. No início da sessão, a Zon negociou nas cotações mais elevadas desde Abril de 2011, tendo já afastado-se desse valor.
 
A Zon apresenta uma cotação 28% acima da que registava a 14 de Dezembro, antes do anúncio da fusão.
 
A última semana foi de forte troca de acções, com mais de 1 milhão de títulos da Zon negociados em quatro das cinco sessões. A média diária é, nos últimos seis meses, de 412 mil acções negociadas. Na sexta-feira, trocaram de mãos 1,6 milhões de acções da empresa, cujo maior accionista é a empresária angolana Isabel dos Santos, que é vista pelos analistas como a cara da operação, por ser também uma parceira do grupo Sonae.
 
A Sonaecom, que estava a perder menos de 1% pouco antes do fecho da sessão, acabou o dia com as acções a valerem 1,509 euros, resultado de uma desvalorização de 4,49%. Foram transaccionadas 638 mil acções da dona da Optimus. A empresa presidida por Ângelo Paupério cotava nos 1,536 euros a 14 de Dezembro, o que indica que a empresa perdeu perto de 2% desde o anúncio da fusão.
 
A justificação para esse comportamento negativo das duas empresas deve-se, essencialmente, à notícia avançada esta sexta-feira pelo “Diário Económico”. A Autoridade da Concorrência poderá avançar para uma investigação aprofundada ao negócio de fusão entre a Zon e a Optimus, operadora móvel da Sonaecom.
 
A operação foi noticiada a 14 de Dezembro do ano passado mas, apesar dos avales que recebeu da autoridade para as telecomunicações Anacom e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), ainda espera a aprovação da entidade que analisa as questões concorrenciais no País.
 
Ao avançar para uma investigação aprofundada, a Autoridade da Concorrência terá mais 90 dias para analisar o caso – além do facto de se poderem verificar interrupções do prazo, se forem pedidas informações adicionais pela entidade presidida por Manuel Sebastião.
 
“Acreditamos que o mercado estava a alimentar a expectativa de uma solução mais célere para a fusão e, por isso, possa reagir negativamente a esta notícia”, comentaram os analistas da casa de investimento do BPI na nota que publicam diariamente. A expectativa da unidade aponta para que a operação, cujo arranque oficial foi em Dezembro, “seja concluída antes do final deste ano”.
 
As quedas das duas empresas intensificaram-se no fecho da sessão, momento em que o índice de referência terminou com uma descida de 3,45%.