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03 May 2013 22h02

Jardim discorda de novas medidas porque "o país não aguenta"

Jardim falava aos jornalistas à margem do encerramento do IV Fórum de Panificação que decorreu na cidade de Machico, comentando as notícias que antecipavam o pacote de medidas que foram anunciadas pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para poupar 4,8 mil milhões de euros nas despesas do Estado.      
 
"Discordo disso tudo (...), o que sei é que o país não aguenta mais. É mau para o país todo", disse o governante madeirense.
 
Jardim referiu que a Madeira "não pode escapar" a essas medidas, porque "não tem margem para fazer grandes alterações, porque o Estatuto Político-administrativo diz que o regime da função pública é igual ao nacional".
 
"As medidas que estão em vigor estão em vigor", declarou, opinando que "o que está errado são as políticas que estão a ser impostas a Portugal e que Portugal está a aceitar desenvolver. Portanto não é por aqui", sustentou.
 
No discurso, o líder madeirense considerou que "hoje neste Portugal e nesta União Europeia onde a solidariedade é uma fraude, é um ato de coragem ser-se empresário".
Segundo Jardim, "neste momento, todos os discursos oficiais que se ouvem neste país são muros de lamentações", opinando que se está a criar uma "bipolarização perigosa" entre os países do norte e sul da Europa.
 
Para o responsável insular, a política que tem sido seguida "está errada", sustentando que "a ideia que a dívida pública é um monstro, que vai atrapalhar a vida das nações é ridícula".
"A grande questão não está na dívida (...) está que na economia não se dinamiza", mencionou, opinando que "pode haver uma divida pública desde que o ritmo de crescimento do PIB seja superior ao do crescimento da dívida, porque aí haverá segurança necessária para que a economia vá funcionando".
 
Alberto João Jardim considerou que "agora só se sairá desta situação pagando um preço de uma inflação controlada, que seria péssimo se fosse acima de cinco por cento".
 
Criticou também a aposta no "aumento dos impostos de forma sôfrega", salientando que esta política também não resultou e "houve aqui um sacrifício infeliz, que não levou a nada".
 
"Verificamos que se exagerou no aumento dos impostos, que se ultrapassou a linha de saturação e que se ultrapassou uma linha acima da qual os impostos se tornam insuportáveis levando ao fecho de empresas, a maior desemprego, traduzem-se em menos receita para o Estado", referiu.
 
Na opinião do líder insular "este país que é capaz, com possibilidades, está entregue a gente que não teve a formação capaz para ocupar os lugares que ocupam" e "a Madeira foi tratada pelo estado português de maneira inaceitável".