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30 May 2013 15h52

Jorge Tomé: Banif "está no bom caminho" e com "níveis de liquidez repostos"

"O banco está claramente no bom caminho (...) está a ter uma trajectória bastante positiva em termos operacionais e no domínio da liquidez tem os níveis completamente repostos e o de solubilidade igual aos dos seus comparáveis", declarou o responsável em conferência de imprensa após a realização da assembleia geral do grupo.
 
Jorge Tomé declarou que os "números todos os meses só dão alegrias", salientando que "o banco está tão capitalizado como os outros bancos, muito mais sólido e líquido que no ano passado, com uma qualidade de activos muito melhor e muito mais eficiente operacionalmente".
 
Sobre os objectivos a prosseguir este ano, o presidente do grupo realçou que será dada continuidade aos programas de redução de custos, recuperação de créditos e o Banif "tem de concluir a segunda fase da capitalização" que tem como objectivo central "devolver o banco ao sector privado".
 
Adiantou que estratégica do grupo nos próximos anos passa pela "transformação comercial do grupo", que pretende manter a estrutura existente na Madeira e Açores, pois tem "forte implementação nas regiões autónomas", onde é um "banco líder e tradicional", mas vai apostar numa "segmentação de clientes diferente da que tem hoje no continente", virando-se para os clientes individuais e as pequenas e médias empresas.
 
Sem avançar números, Jorge Tomé mencionou que esta mudança implica encerramento de balcões, estruturas que têm de ser "rentáveis" e vai "originar negociação de cessação de contratos de trabalho", sendo um processo para cumprir nos próximos quatro a cinco anos.
 
Sobre os contactos com investidores internacionais externos, Jorge Tomé salientou que "essas operações obrigam a ter um plano estratégico definido", dependendo do "calendário que vai ser definido com bancos de investimentos que nos estão a apoiar nessa operação".
 
Relativamente ao caso das acções de responsabilidade civil intentadas contra ex-directores do Banif no Brasil, depois de terem sido detectados "indícios de irregularidades" declarou: "Vamos ter de aguardar agora o seu desenvolvimento", garantindo que a ex-directora executiva do banco naquele país, Maria Conceição Leal não está incluída neste grupo.
Nesta assembleia-geral do Banif foi deliberado aprovar o relatório de gestão e contas do exercício de 2012.
 
Em 2012 o banco apresentou prejuízos consolidados de 576,4 milhões de euros.
 
Em Janeiro, o Banif recebeu 1.100 milhões de euros de dinheiros públicos no âmbito de um processo de recapitalização que deixou o Estado com o controlo de mais de 90% da instituição. Em contrapartida, ficou obrigado a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros até ao final de Junho para que o controlo do banco regressasse a mãos de investidores privados. O banco também se comprometeu a devolver ao Estado, até ao final de Junho, 150 milhões de euros do financiamento que obteve.