Go back
12 June 2013 09h54

Juros da dívida portuguesa descem pela primeira vez em 6 sessões

Os juros da dívida pública portuguesa estão esta quarta-feira a corrigir das subidas das últimas sessões, em linha com o comportamento das obrigações dos restantes países periféricos do euro.
 
A “yield” da dívida a 10 anos, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg, cede 15 pontos base para 6,31%, depois de nas últimas cinco sessões ter avançado mais 75 pontos base para máximos de finais de Fevereiro.
 
Nos restantes prazos a tendência também é de queda, com uma descida de 11 pontos base nas obrigações a cinco anos, para 5,18%. Nas obrigações a dois anos a “yield” recua 1 ponto base para 3,46%.
 
Este alívio nos juros, na sessão de hoje, também se verifica nos restantes países periféricos. A “yield” das obrigações a 10 anos espanholas desce 8 pontos base para 4,57% e nas obrigações italianas com a mesma maturidade a queda dos juros é de 5 pontos base para 4,31%.
 
Na sessão de ontem o “spread” das obrigações portuguesas a 10 anos face às “bunds” alemãs tocou em 500 pontos base, ou 5 pontos percentuais, com a taxa a atingir 6,6%. Há um mês estavam pouco acima dos 5,2%, altura em que o Estado emitiu dívida para 2024 a uma taxa inferior a 5,7%. O agravamento não é exclusivo da dívida de Portugal – os juros de Irlanda e Grécia, bem como de Itália e Espanha também estão em alta –, mas a menor liquidez da dívida portuguesa está a fazer com que a correcção esteja a ser mais pronunciada.
 
Portugal mais longe do regresso aos mercados
 
A subida dos juros faz com que "qualquer pretensão de voltar a emitir dívida no mercado tenha de ser, neste momento, adiada", diz Ciaran O’Hagan, estratego de dívida do Société Générale. A intensidade da correcção nos preços dos títulos cria uma situação em que "nenhum potencial comprador quererá enfrentar esta onda" negativa, diz o especialista.
 
David Schnautz, estratego do Commerzbank, concorda que "a recente subida das taxas no mercado, bem como o aumento da volatilidade, torna muito improvável que o Tesouro português regresse ao mercado de obrigações antes do Verão". O especialista continua a prever que a próxima iniciativa da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) aconteça apenas em Setembro, até porque a actividade diminui nos meses de Verão.
 
Além de uma estabilização nas taxas de juro, Schnautz diz que para que se possa voltar a emitir dívida de longo prazo, será importante clarificar a estrutura exacta dos novos prazos de reembolso dos empréstimos europeus. "De qualquer forma, não há pressa. Portugal já emitiu 5,5 mil milhões em obrigações este ano, face ao objectivo da troika de zero, pelo que pode esperar um pouco, a ver se a tempestade passa".
 
A "tempestade" está a ser causada pelo facto de os investidores globais estarem já a descontar uma redução pela Reserva Federal dos EUA do ritmo mensal a que o banco central está a adquirir obrigações do Tesouro e títulos hipotecários. Por outro lado, existe ainda muita incerteza acerca da eficácia e do impacto que terão as políticas de estímulo noutro ponto do globo: o Japão.
 
Para Luca Jellinek, responsável pela estratégia em dívida pública europeia do Crédit Agricole, essa movimentação está a levar muitos dos "hedge funds" (fundos de cobertura de capital) que acorreram à taxa elevada oferecida pela dívida portuguesa – e de outros emitentes, soberanos e empresariais – a realizar mais-valias nessa transacção. "Mas isto é apenas uma interrupção na tendência de convergência nas taxas na Zona Euro, nada mais", defende.