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23 April 2013 18h18

Lucro da Portucel cai 15% apesar de subida das vendas

O Grupo Portucel Soporcel verificou um decréscimo do resultado líquido nos primeiros três meses do ano, apesar de ter conseguido aumentar as receitas. A quebra dos resultados operacionais foi a principal responsável pela evolução desfavorável do lucro.
 
O resultado líquido da papeleira liderada por Pedro Queiroz Pereira (na foto) foi de 44,7 milhões de euros no primeiro trimestre de 2013, o que representa uma descida de 14,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a empresa obteve lucros de 52,3 milhões de euros.
 
Conforme avança o comunicado emitido através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a descida do resultado líquido da empresa, onde mais de 80,8% dos direitos de voto são controlados pela Semapa, deveu-se, sobretudo, à quebra de 17,2% dos resultados operacionais.
 
O EBIT da Portucel (resultados antes de juros e impostos) cifrou-se nos 58,3 milhões de euros entre Janeiro e Março do presente ano, quando superava os 70 milhões um ano antes. Já o EBITDA, que incluiu os resultados operacionais antes de amortizações e provisões, caiu 8,8% para 85,3 milhões de euros.
 
Esta tendência desfavorável dos números operacionais da empresa da pasta e papel deve-se a "uma evolução negativa" a nível de custos "nalguns dos seus factores de produção, designadamente ao nível do custo da madeira e da pasta de fibra longa, com a electricidade a manter também a tendência de agravamento de custo registada nos trimestres anteriores". A subida de custos tinha já verificado nas contas de 2012 da Portucel.
 
Receitas aumentam com ajuda de pasta branqueada de eucalipto
 
As vendas totais da Portucel ascenderam 1,1% no primeiro trimestre, em termos homólogos, para se fixarem nos 356,9 milhões de euros. Quer isto dizer que os resultados operacionais não conseguiram acompanhar o aumento das receitas que se verificou no primeiro trimestre devido à subida dos custos. 
 
O grupo explica que o progresso positivo no volume de negócios foi conseguido com a melhoria do desempenho do negócio da pasta e também pelo aumento das vendas de energia, “possibilitado pela integração da actividade da Soporgen, empresa responsável pela cogeração de gás natural no complexo industrial da Figueira da Foz, na qual o grupo passou a deter 100% do capital social em Janeiro do corrente ano”.
 
O mercado da pasta branqueada de eucalipto (BEKP) avançou depois de dois aumentos de preços e um terceiro esperado para Maio. Além dos preços, também o volume de vendas de pasta cresceu no primeiro trimestre. A pasta da Portucel destina-se, segundo o site oficial da empresa, para o fabrico de papéis nos segmentos de impressão e escrita, decoração e para utilização sanitária. A Portucel acredita que este mercado deverá continuar a mostrar alguma sustentação, como até aqui.
 
No negócio dos papel fino de impressão e escrita não revestido (UWF), “o enquadramento foi mais adverso”, o que contribui para uma descida de 5% do volume vendido. Nas perspectivas futuras, o grupo considera que é previsível que o consumo se mantenha em queda, "enquanto não se atenuar a severidade da presente crise".
 
Exportação representa 78% das vendas
 
A Portucel exportou 277,6 milhões de euros para mais de 100 países, segundo o comunicado. Este montante corresponde a 78% das vendas totais.
 
No mesmo documento, a empresa de pasta e papel avança que tem tentado alargar os seus mercados e reposicionar os seus produtos "tirando partido da forte penetração e notoridade das marcas próprias". As marcas próprias têm um peso de 66% para o grupo.
 
Resultado financeiro melhora para 3,1 milhões de euros negativos
 
O resultado financeiro da Portucel ficou-se pelos 3,1 milhões de euros negativos no primeiro trimestre, o que representa um desagravamento face aos 3,7 milhões de euros negativos do trimestre homólogo.
 
A melhoria "resulta essencialmente da diminuição da dívida líquida, conjugada com uma redução das taxas Euribor, às quais grande parte da dívida está indexada”. A dívida líquida remunerada foi reduzida de 363,6 milhões de euros, no final de 2012, para 341,1 milhões de euros, em Março.
 
(Notícia actualizada às 18h25)