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15 June 2013 21h07

Milhares de professores dizem 'basta' em Lisboa e prometem continuar luta

Professor de Matemática há 25 anos, António Morais saiu hoje de Aveiro para marcar presença na manifestação em que os professores uniram vozes para avisar que não aguentam mais.
 
O professor explicou à agência Lusa que "é a escola pública que está em causa”, reiterando que é hoje muito mais difícil ser professor do que era há 25 anos, quando começou a exercer a profissão.
 
Contratada há 17 anos, Isabel Pereira, professora de Português e de Francês, assegurou que, para os docentes, “os alunos estão sempre em primeiro lugar”, mas entende que os professores têm de defender os seus direitos nas ruas.
 
“Os alunos que não se preocupem, que estudem calmamente porque os exames nacionais vão ser realizados”, garantiu.
 
Mas a manifestação não atraiu só professores, tendo havido também outros que, em solidariedade, se quiseram juntar aos protestos. Foi o caso de Joaquim Cruz, bancário reformado de 72 anos, que erguia um cartaz em que dizia que também é “vítima deste império do mal”.
 
Os professores protestaram contra a aplicação do regime de mobilidade especial, as distâncias a que podem ficar colocados e o aumento do horário de trabalho das 35 para as 40 horas semanais.
 
A praça do Marquês de Pombal, a Avenida da Liberdade e os Restauradores, artérias centrais da capital, encheram-se de recados ao executivo de Passos Coelho: "Um Governo só de vícios que nos pede sacrifícios" e "O poder quer-nos ignorantes, famintos, pobres e triste. Assim somos mais fáceis de pastorear" estavam entre as mensagens dos muitos cartazes.
 
O secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE), João Dias da Silva, fez um balanço "claramente positivo" da manifestação, apontando para que tenham estado presentes no protesto "para cima de 50 mil pessoas".
 
"A mensagem essencial que os professores querem enviar ao Governo é que é essencial retirar estas propostas, substituí-las por outras que retirem o medo e a incerteza da profissão", afirmou.
 
Já Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), recomendou às famílias dos alunos que não possam fazer os exames nacionais para que processem em tribunal o ministro da Educação, Nuno Crato, considerando que é o responsável por essa situação.
 
"Qualquer aluno que na segunda-feira possa ficar sem fazer exame, o ministro da Educação deve ser posto em tribunal pelas suas famílias", disse Mário Nogueira, no discurso de encerramento da manifestação, na praça dos Restauradores.
 
Também a CGTP marcou presença na manifestação de hoje, com Arménio Carlos, o secretário-geral, a acusar o Governo de exercer "pressões intimidatórias" sobre os professores ao ter convocado todos os docentes para as escolas na segunda-feira, dia de greve e de exames nacionais.
 
Aos manifestantes juntaram-se também o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP).
 
João Semedo, do Bloco, criticou o Governo por escolher um mês "de avaliações e exames" para "aprovar propostas gravíssimas" para a escola pública e o PCP considerou que o país tem assistido "à campanha mais agressiva" contra os professores após o 25 de Abril de 1974 e que a dimensão da manifestação revela que "o Governo tem de ser afastado".
 
À tarde, em declarações à Lusa, o ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, disse que o Governo chegou a sugerir uma nova data para os exames de segunda-feira, mas a falta de compromisso por parte dos sindicatos inviabilizou essa solução.
 
“Chegámos a sugerir a possibilidade de recalendarizar os exames, de marcar para novas datas, desde que houvesse um compromisso dos sindicatos, no sentido que não fariam greve aos exames nessas outras datas”, afirmou.