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22 May 2013 17h19

Passos Coelho: "Não vou comentar o meu pai"

Em Bruxelas, onde participa na mini-cimeira sobre evasão fiscal e energia, Pedro Passos Coelho foi questionado sobre as declarações feitas hoje pelo seu pai ao jornal “i”. “Nunca gostámos que ele fosse para onde foi, porque a ideia cá em casa, na família, é que isto não tem conserto. Há muitos anos, não é de agora”, disse António Passos Coelho.
 
Pedro Passos Coelho recusou fazer declarações sobre o tema, dizendo apenas: “Não vou comentar o meu pai”.
 
António Passos Coelho, prestes a completar 87 anos, reconhece, em declarações prestadas esta quarta-feira ao jornal “i”, que a situação do País é má e que “não há volta a dar”: é mesmo preciso viver em austeridade. Mas também defende o filho das críticas de que é alvo por causa dos sacrifícios impostos aos portugueses. “Julgam que o meu filho não sabe? Coitado, sabe Deus o que ele passa. Está morto por se ver livre disto. A gente vai fazer uma festa, cá na família, quando ele se vir livre disto. Vamos fazer uma festa, nem queira saber”, garante.
 
O médico pneumologista conta que na família ninguém ficou contente com a ida de Passos Coelho para o Governo. “Nunca gostámos que ele fosse para onde foi, porque a ideia cá em casa, na família, é que isto não tem conserto. Há muitos anos, não é de agora”. Na campanha eleitoral de há quase dois anos, António Passos Coelho avisou o filho: “vais-te lixar”. Para si guardou outro aviso: “toda esta gente que está aqui vai vaiar-te. Agora estão aqui todos contigo, mas daqui a um ano vão vaiar-te. Não disse isto porque parecia mal na altura”, justifica.
 
Passos Coelho filho tem tido dificuldades em articular algumas medidas com o seu parceiro de coligação, Paulo Portas. Mas o pai também defende o presidente do CDS. “É um moço inteligente, um moço sobredotado”, que tem encontrado problemas dentro do partido. “Sabe, às vezes estes presidentes do partido não fazem aquilo que querem, fazem aquilo que são obrigados a fazer”, conjectura.
 
Passos disse ao pai que demitir-se significa pedir um segundo resgate
 
O primeiro-ministro já havia garantido, no início deste mês, que não se demite se perder as autárquicas. Ao seu pai fez igual promessa. António Passos Coelho contou ao “i” os termos em que o primeiro-ministro pôs as coisas: “É evidente que posso fazer isso [demitir-se], mas vai ser uma tragédia para o País. Tudo o que conseguimos cai de um dia para o outro, todo o critério internacional cai de um dia para o outro, vamos ter outro resgate, vamos ter uma austeridade pior que esta. Isto está na minha mão. Como é que eu posso fazer isso?”.
 
António Passos Coelho acredita, ainda assim, que o PSD “não consegue fugir a ser penalizado pela acção do governo”, ainda que essa penalização não seja tão forte “como a oposição gostaria”.
 
O pai do primeiro-ministro reside em Vale de Nogueiras, Vila Real, e lançou recentemente o livro "Pedaços de Céu e Inferno".