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03 May 2013 21h55

Passos Coelho: Sacrifícios dos portugueses "valerão a pena certamente"

Pedro Passos Coelho assegurou esta sexta-feira que os sacrifícios dos portugueses vão valer a pena e que recuar na estratégia seguida até aqui seria “desperdiçar esses sacrifícios”, o que na opinião do primeiro-ministro não pode ser aceitável.
 
“Haverá certamente muitos Portugueses que se perguntam porquê mais poupanças”, disse Passos Coelho, antes de enumerar as medidas com as quais pretende cortar 4,8 mil milhões de euros na despesa.
 
“Reafirmo o que já vos disse: não iremos aumentar os impostos para corrigir o problema orçamental decorrente da decisão do Tribunal Constitucional. Fazê-lo seria comprometer gravemente as perspectivas de recuperação económica, do emprego e do investimento. E isso não podemos, de modo algum, aceitar. Pelo contrário. Dentro da margem muito estreita que é a nossa, devemos ponderar todos os meios para, a prazo, proporcionar melhores condições fiscais às nossas empresas e trabalhadores. Chegou o momento de relançar o investimento privado”, assegurou Passos Coelho.
 
Aos que se interrogam se os sacrifícios que vos têm sido pedidos vão valer a pena, Passos Coelho responde que “valerão a pena certamente. Mas para isso temos de remover este obstáculo que temos pela frente. Falhar agora seria desperdiçar esses sacrifícios e isso nenhum de nós pode aceitar.
 
Considerado que “estamos na recta final dessa estratégia à medida que se aproxima a conclusão do Programa de Assistência, (…) temos de ter a coragem para resistir às falsas promessas e às ilusões que tempos como os que estamos a viver fazem crescer”.
 
O primeiro-ministro enumerou depois as medidas já tomadas no âmbito do corte de despesa, onde “já muito foi feito”.
 
Nestes últimos dois anos poupámos cerca de 13 mil milhões de euros em despesa do Estado. Para atenuar as medidas de poupança que têm impacto no rendimento disponível das pessoas, atacámos as rendas excessivas como nunca tinha sido feito. Conseguimos em 2013 poupanças de 35% nos encargos com as PPP rodoviárias, no montante de 300 milhões de euros, e queremos poupanças ainda maiores para os anos seguintes. Ao longo da vida destes contratos obteremos uma redução em termos nominais de mais de 7 mil milhões de euros. No sector energético estamos a ser igualmente exigentes, com poupanças de 160 milhões de euros já a começar este ano e que aumentarão em anos futuros, num total de mais de 2 mil milhões de euros em termos nominais”, adiantou.
 
O primeiro-ministro sublinhou ainda o corte nas “despesas de funcionamento dos ministérios e das empresas públicas”, onde “actuámos com grande determinação na reforma das empresas públicas de transportes”
 
“Além disso, o Governo tem reduzido e continuará a reduzir os consumos intermédios na Administração Pública. Os consumos intermédios caíram 903 milhões de euros em 2011 e 504 milhões de euros em 2012. Graças a estas poupanças, Portugal tem hoje o 5.º valor mais baixo de consumos intermédios na Europa. E este esforço de redução dos consumos intermédios tem, pois, de continuar”, acrescentou.
 
Passos Coelho deixou ainda o alerta sobre as “opiniões de que existem saídas fáceis para esta crise”, sobretudo das que fazem passar a ideia que “os défices e a dívida não são problemas de maior, ou que não pagar a dívida é remédio pronto e indolor para a crise e que acabaria com a austeridade”.