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20 July 2023 07h52

Pequim promete mais apoio ao setor privado face a desaceleração económica

Em comunicado, o Conselho de Estado (Executivo) e o Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) comprometeram-se a melhorar o ambiente de negócios, fortalecer mecanismos para garantir a "concorrência leal" e um tratamento não discriminatório, face às empresas estatais, em resposta às reclamações frequentemente feitas por grupos estrangeiros.

O plano de Pequim, que está dividido em 31 pontos, promete também melhorar os sistemas de apoio ao financiamento e ao mercado de trabalho, visando promover o "espírito empreendedor" no setor privado.

O documento visa também incentivar as empresas a empreender processos de transformação digital e tecnológica.

No entanto, a diretriz apela também às empresas privadas para que "cumpram com as suas obrigações sociais", através de donativos para caridade, apoio em situações de emergência ou colaboração na "construção da defesa nacional".

A mesma diretriz pede o reforço da influência do Partido Comunista no setor privado.

Após a publicação do documento, um porta-voz da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o órgão máximo de planeamento económico do país, indicou que o setor privado se tornou num "elemento intrínseco" do sistema económico chinês, embora reconheça que "algumas empresas enfrentam dificuldades" e que os mecanismos propostos vão ter de ser ajustados para aumentar a "confiança e vitalidade".

A falta de confiança das empresas privadas é um dos fatores que alguns analistas destacam para explicar a desaceleração da economia chinesa.

"As empresas estão hesitantes em aumentar a produção ou o investimento, face a contratempos económicos. Muitas estão à espera para ver o que vai acontecer, e não tentarão expandir as suas operações até que haja uma recuperação da procura geral", afirmou, esta semana, num relatório, o economista Harry Murphy Cruise, da Moody's Analytics.

A taxa oficial de desemprego entre os jovens urbanos da China (entre 16 e 24 anos) atingiu novo recorde histórico em junho, ascendendo a 21,3%, segundo dados oficiais publicados esta semana.

A economia chinesa registou um crescimento homólogo de 6,3%, no segundo trimestre do ano, aquém das expectativas dos analistas, já que o efeito base de comparação, após um ano de bloqueios rigorosos, fazia prever uma taxa superior.

Em relação ao período entre janeiro e março, a economia cresceu apenas 0,8% no segundo trimestre do ano.