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02 July 2013 00h32

Portugal "voltou ao tempo de Salazar", acusa Alberto João Jardim

Jardim defendeu que, para resolver a situação do país, "o caminho é os portugueses forçarem uma mudança de regime político", criticando os partidos "da extrema-direita à extrema-esquerda, a partidocracia, porque não querem tocar em nada".
 
"Essa gente não quer ouvir falar de revisão constitucional. Voltámos ao tempo de Salazar, os que são da situação e os que não são, porque o país hoje entrou em situações gravíssimas como estava no tempo do doutor Salazar", disse o governante, numa entrevista de mais de uma hora, no Dia da Região, assinalado na segunda-feira.
 
Entre outros aspectos, o governante insular sustentou que "a Madeira e o país precisam rapidamente de baixar os impostos" e considerou que as taxas aplicadas na restauração são "uma loucura total".
 
Jardim declarou que a Região "está financeiramente melhor" do que estava há um ano, quando começou a ser aplicado o plano de resgate, apontando que a Madeira "ficou com liquidez, embora não bastante para ter o ritmo de investimento que caracterizou o período de mudanças e tem sentido um arrefecimento na economia". "Nada de fantasias, a verdade é que se conseguiu segurar a situação financeira, mas teve um preço muito duro", alertou, apontando o aumento do desemprego.
 
Jardim insistiu que a política europeia imposta a Portugal "está errada" e defendeu que a Madeira precisa de "mais autonomia política, mas que "já ficava muito satisfeito com a autonomia fiscal", admitiu.
 
O governante declarou também que o Centro Internacional de Negócios (CINM) "não está perdido e pode voltar a ser o que foi, desde que dêem autonomia fiscal" à Madeira.
 
O presidente do governo regional considerou que "se acabasse o euro era um desastre para Portugal" e sustentou que o "problema português resolve-se com mudanças na Europa e no sistema em Portugal".
 
Alberto João Jardim argumentou que uma "solução mais arrojada" para a Madeira, como um cenário de independência, pressupõe a realização de um referendo na Região.
 
O responsável insular mencionou ainda "estar satisfeito" com a venda do capital que a Região detinha na Aeroportos e Navegação Aérea da Madeira (ANAM) à ANA.
 
Referiu igualmente que a Região "vai contar cada vez menos com a diáspora", considerando que "o futuro está no turismo" do nicho de mercado que passa por captar o interesse dos descendentes dos emigrantes na terra dos seus antepassados.
 
Falando do período pós Programa de Ajustamento Económico e Financeiro celebrado com o Estado, o chefe do Governo Regional declarou: "A austeridade acaba na Madeira quando acabar no país".
 
Sobre o futuro do centro regional da RTP-Madeira, disse que começaram as negociações com o Governo, rejeitando a possibilidade de o Governo Regional "começar uma nova empresa com despedimentos", bem como com a regionalização do canal e a intenção de juntar no projecto o Jornal da Madeira.