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14 June 2013 19h53

Presidente CMVM sugere que empresas se financiem com fundos de investimento cotados

"Muitas das empresas portuguesas têm insuficiência de capitais próprios. Uma coisa é cotarem-se na bolsa e procurar fundos directamente no mercado isoladamente. Isso só estará ao alcance de um número limitado de empresas. Mas [em alternativa] podem recorrer a instrumentos de acesso indirecto, isto é, a fundos de investimento em acções e obrigações de empresas, que sejam cotados no mercado de capitais", disse Carlos Tavares em Lisboa
 
O responsável pela entidade de regulação da bolsa falava no final de uma primeira reunião de balanço promovida pelo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, em que participaram 17 empresas portuguesas, o presidente da Euronext Lisboa, Luis Laginha de Sousa, e a Associação Portuguesa de Bancos (APB), sobre as potenciais soluções para o financiamento das empresas nacionais, incluindo a possibilidade de entrada em bolsa, como forma de diversificarem as fontes de financiamento e reforçarem a estrutura dos seus capitais próprios.
 
"Não vale a pena pensar-se que vamos passar de um mercado com 50 empresas cotadas para um com 500, isso não é realista. Mas as empresas podem recorrer a instrumentos de acesso indirecto (...). Penso que temos de ir por etapas", explicou.
 
Carlos Tavares, que também considerou que as empresas portuguesas devem "equilibrar os capitais próprios e alheios", por forma a terem melhor acesso às diversas fontes de financiamento, manifestou o desejo de as empresas de menor dimensão diversificarem o financiamento através do mercado de capitais.
 
Tratou-se de uma reunião de "sensibilização e para ouvir as empresas", esclareceu o presidente da CMVM, lembrando ainda que há sempre possibilidade de melhorar "o quadro fiscal e regulamentar" do mercado.
 
"Para uma empresa, fiscalmente é mais benéfico financiar-se por dívida do que por capitais próprios", esclareceu igualmente Carlos Tavares, tendo explicado que "os juros são considerados um custo fiscal e o custo dos capitais próprios não o é".
 
Carlos Tavares não deixou enaltecer muitas das empresas portuguesas, assinalando que "têm qualidade para oferecer, têm bons produtos, bons níveis de produtividade e perspectivas de mercado que lhes são favoráveis", mas que, para competirem no mercado de bens transaccionáveis, têm que ter acesso a outras formas de financiamento, nomeadamente ao mercado de capitais.