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26 April 2013 14h18

Previsões económicas para Espanha pioram: défice de 6,3% e taxa de desemprego de 27,1% em 2013

O Governo de Espanha comunicou esta sexta-feira o novo quadro macroeconómico do país e as medidas aprovadas no Conselho de Ministros desta sexta-feira.
 
“Dependemos das previsões de crescimento e do caminho do défice público para os próximos anos”. Este foi o argumento de Mariano Rajoy para justificar o plano de medidas aprovado hoje na reunião dos ministros espanhóis.
 
De acordo com as previsões económicas do Executivo, o PIB de Espanha deverá cair 1,3% em 2013. Em 2014, deverá crescer 0,5% e deverá continuar a crescer nos dois anos seguintes, 0,9% e 1,3%, respectivamente.
 
Quanto ao défice, Luis de Guindos, ministro da Economia, reconheceu “a dificuldade em ajustar o défice” e prevê que não será possível situá-lo abaixo dos 3% do PIB antes de 2016, quando deverá fixar-se nos 2,7%.
 
Para 2013, o ministro espanhol aponta para um saldo orçamental negativo de 6,3%, 5,5% em 2015 e 4,1% para 2016. Porém, Luis de Guindos referiu-se a estas metas como “muito conservadoras”.
 
O Governo de Rajoy pretende ainda que até 2015 sejam poupados oito mil milhões de euros com a Administração Pública. No seguimento das previsões governamentais, Espanha deverá ver a sua dívida aumentar nos próximos anos até atingir os 99,8% em 2016.
 
“2014 será o ano da recuperação”, afirmou Luis de Guindos. “A partir deste ano, Espanha começará a reduzir o endividamento externo, que é um dos grandes problemas da economia”. Para o ministro, 2014 será o ano em que se começará a “ver os frutos das reformas”.
 
Tal como já tinha afirmado esta semana, o ministro da Economia reiterou que “os indicadores apontam para uma chegada da recuperação económica”.
 
No que toca ao desemprego, as previsões governamentais indicam que a taxa de desemprego não deverá ser menor do que 24% em 2016, fixando-se, mais precisamente nos 24,8%. Para este ano, as expectativas apontam para que o desemprego atinja os 27,1%.
 
IVA e IRS não vão aumentar
 
Na apresentação das novas medidas, o Governo reiterou, tal como vinha a fazer nos últimos dias, que não irá aumentar o IVA e o imposto sobre os rendimentos dos singulares. Contudo, a vice-presidente do Governo, Soraya Sáenz de Santamaría, deu a conhecer que impostos especiais, como os impostos sobre os depósitos bancários para os grandes contribuintes (empresas com mais de 20 milhões de euros em volume de negócios) e impostos ambientais (a Comissão Europeia recomendou o aumento deste tipo de impostos), vão sofrer alterações. A modificação vem no sentido de uma maior convergência com a Europa, como referiu a vice-presidente.
 
Segundo as afirmações de Cristóbal Montoro, ministro do Orçamento e Administração Pública, o imposto sobre os depósitos bancários deverá render entre 150 a 300 milhões de euros para o Estado espanhol.
 
Quanto aos impostos ambientais, Montoro anunciou que “há espaço” para alguns aumentos, mas não no imposto sobre os hidrocarbonetos. Contudo, o ministro não quis concretizar mais sobre o assunto.
 
A vice-presidente comunicou ainda, que “dentro das medidas possíveis”, o Governo tentará “suavizar” o IVA e o imposto sobre os rendimentos “nos próximos tempos”. “Não vamos pedir grandes esforços aos espanhóis”, afirmou Sáenz de Santamaría. De acordo com a número dois de Rajoy, as medidas e os esforços pedidos aos espanhóis em 2012 permitem agora medidas mais ténues.
 
Entre as várias medidas apresentadas pelo Executivo contam-se um plano anual de política de emprego e uma lei de apoio ao empreendedor.
 
Sáenz de Santamaría anunciou ainda que o Governo deverá criar uma lei de racionalização da administração local, bem como a criação de um código de boa gestão para as empresas espanholas, que incremente “as boas práticas e a transparência”.