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18 June 2013 14h03

PSD e CDS não querem culpa a morrer solteira nas PPP

O deputado do PSD, Nuno Encarnação, defendeu nesta segunda-feira que a proposta de relatório da comissão de inquérito às Parcerias Público-Privadas é "um relato fidedigno", admitindo apenas "ajustar uma ou outra situação". "Obviamente que estaremos disponíveis nas próximas semanas para ajustar uma ou outra situação mas a essência do relatório é esta mesma, é um relato fidedigno, no nosso entender, daquilo que se passou na comissão, nas mais de 60 audições e 70 reuniões", afirmou.
 
Em declarações aos jornalistas no Parlamento, Nuno Encarnação rejeitou as críticas do PS ao documento elaborado pelo deputado relator, o social-democrata Sérgio Azevedo, afirmando que "só quem andou distraído é que não percebe" que os factos descritos no relatório preliminar "assentam na base de tudo aquilo que foi dito" durante os trabalhos.
 
Nuno Encarnação frisou que foram analisadas 25 PPP, das quais "22 são da responsabilidade do PS", permitindo perceber que "há uma responsabilidade política do Governo anterior de José Sócrates, com nomes, que têm cara e tem caneta com que assinaram todos estes contratos".
 
"As pessoas têm que saber quem foram os responsáveis por esta dívida monstra que Portugal acumulou", defendeu.
 
A proposta de relatório da comissão de inquérito às PPP, divulgado segunda-feira, defende que vários governantes do executivo de José Sócrates e a administração das Estradas de Portugal devem ser responsabilizados pelas entidades competentes.
 
Entre os ex-governantes citados ao longo do relatório constam os nomes dos ex-ministros Teixeira dos Santos, Mário Lino e António Mendonça e dos ex-secretários de Estado, Costa Pina e Paulo Campos, assim como o do próprio ex-primeiro-ministro José Sócrates.
 
Também Hélder Amaral do CDS (na foto) considerou o relatório um retrato fiel do que foi possível apurar na comissão de inquérito. Aos jornalistas, o deputado apontou os exemplos do Metro sul do Tejo, alta velocidade e as negociacoes das ex-Scut para questionar que interesses estava o Estado a defender.
 
No caso das subconcessões, Hélder Amaral considera que leva a crer que o governo de Sócrates as lançou não só para esconder divida mas também para ganhar eleições. “E fundamental que a culpa não morra solteira”, afirmou, ao recusar as críticas do PS de que o documento constitui uma "encenação" destinada a "disfarçar o desastre" da governação do PSD/CDS-PP.
 
"Encenação foi talvez quem devendo proteger o contribuinte e o interesse público, não protegeu", declarou o deputado democrata-cristão, apontando como "o pior exemplo" as obras do Metro do sul do Tejo. "Uma obra onde não se encontram responsáveis, tem um estudo de tráfego que prevê um cenário positivo, médio e pior. Neste momento, o tráfego está a um terço do pior cenário", destacou, frisando que, em consequência, "os portugueses pagam hoje em média por ano 5,7 milhões de euros de indemnizações compensatórias".