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26 April 2013 16h21

Santos Ferreira e outros dois administradores do BCP receberam indemnização de 3,4 milhões

O Banco Comercial Português pagou uma indemnização de 3,4 milhões de euros aos administradores executivos que deixaram o banco no ano passado, antes do termo do mandato, que acabava apenas no final deste ano.
 
“Durante o exercício de 2012 e na sequência da alteração do modelo de governo societário aprovado em Assembleia Geral de 28 de Fevereiro de 2012, foram pagas aos Administradores Executivos que cessaram funções antes do termo do mandato remunerações compensatórias por cessação de mandato no montante global de 3.463.318,44 euros”, refere o BCP no relatório e contas publicado esta sexta-feira, 26 de Abril.
 
O BCP não discrimina os nomes dos administradores em causa, mas é público que foram três os gestores que deixaram o banco quando entrou a equipa liderada por Nuno Amado, em Março de 2012.
 
Um deles foi Carlos Santos Ferreira, que era o CEO do banco. Ou outros são Vítor Fernandes e António Ramalho (hoje o presidente da Estradas de Portugal).
 
O valor destas indemnizações corresponde às remunerações que os três gestores iriam auferir se continuassem a integrar a administração do BCP. O mandato terminava no final deste ano, pelo que o valor da indemnização equivale aos 22 meses de remuneração entre Março de 2012 e Dezembro de 2013.
 
Em 2011, primeiro ano do segundo mandato de Santos Ferreira, o gestor foi remunerado em 650 mil euros, tendo Vítor Fernandes recebido 520 mil euros e António Ramalho 482 mil euros.
 
Dado que estes três gestores ainda exerceram funções nos primeiros dois meses de 2012, receberam ainda remuneração referente ao ano passado. Santos Ferreira recebeu 139 mil euros, enquanto os outros dois gestores ganharam 148 mil euros cada um.
 
A nomeação de uma nova gestão para o banco significou um corte acentuado nos gastos do BCP com os salários da administração.
 
Nuno Amado recebeu uma remuneração de 384 mil euros pelos 10 meses que esteve o ano passado no BCP, enquanto Miguel Maya, que já integrava a anterior administração, viu a sua remuneração baixar 16%, para 380 mil euros, apesar de ter subido ao cargo de vice-presidente.
 
BCP gastou 65 milhões em rescisões de contratos com 651 trabalhadores
 
No Relatório e Contas o BCP revela ainda que no ano passado chegou a acordo para rescindir contratos com 651 trabalhadores, tendo pago um total de 65,2 milhões de euros em indemnizações. O que perfaz uma indemnização média de cerca de 100 mil euros por cada contrato denunciado.
 
Entre estes 651 trabalhadores que saíram do banco, a indemnização mais elevada foi de 1,49 milhões de euros, cerca de 15 vezes acima da média. O BCP não revela se nestes 65 milhões de euros estão incluídas as indemnizações pagas aos três administradores. Em termos médios, cada um recebeu mais de 1 milhão de euros.
 
Salário anual médio de 31,2 mil euros no retalho
 
No Relatório e Contas o BCP divulga o número de trabalhadores e as remunerações que pagou em cada área de negócio. No retalho o banco fechou o ano com 5.835 trabalhadores, a quem pagou remunerações de 182 milhões de euros. O que perfaz um salário médio anual de 31,2 mil euros.
 
Na divisão de banca de empresas trabalham 718 pessoas no BCP, sendo que o salário médio anual foi de 47,5 mil euros. Nos serviços centrais, que empregam 2.778 pessoas, o salário médio foi de 45,8 mil euros.