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26 June 2013 19h27

Strauss-Kahn diz que sistema financeiro não está na origem da crise

Na sua primeira intervenção no Parlamento francês desde que teve de deixar o FMI em 2011, na sequência de um escândalo sexual, Strauss-Kahn assegurou, numa comissão de inquérito no Senado, que a responsabilidade do sistema financeiro na crise actual "é um tema vasto".
 
Na opinião do ex-ministro das Finanças francês, "o sistema funciona mal, mas acusar as finanças pelo desastre económico (...) tem a mesma pertinência que dizer que a indústria automóvel é culpada pelas mortes na estrada".
 
Strauss-Kahn insistiu que "o comportamento dos que o utilizam é o verdadeiro problema".
 
"A vontade política não é fácil de alcançar", declarou o antigo governante socialista, referindo-se às tentativas dos governos de controlar o funcionamento do sistema internacional de finanças.
 
"Um governo pode ter um discurso muito voluntarista (...) mas na realidade produz poucos resultados, o que faz com que a crise se perpetue", afirmou.
 
Sobre o papel do FMI quanto aos paraísos fiscais, referiu que é muito limitado.
 
A intervenção de Strauss-Kahn na comissão de inquérito sobre o papel dos bancos na evasão fiscal era aguardada com expectativa e foi interpretada na imprensa francesa como uma certa "reabilitação" do ex-director do FMI, que chegou a ser detido nos Estados Unidos depois de ter sido acusado de agressão sexual.
 
Desde então tem permanecido em França, relativamente afastado da vida pública, apesar de ter sido fotografado no festival de cinema de Cannes e no torneio de ténis de Roland-Garros.
 
Hoje, o seu regresso à cena política francesa, como perito em economia, suscitou reservas tanto à esquerda como à direita.
 
Strauss-Kahn "já não está na política", apontou a porta-voz do Governo Najat Vallaud Belkacem. "Eu não procuraria o seu testemunho e não fui eu a convidá-lo para o Senado", acrescentou.
 
O ex-ministro Gérard Longuet (UMP, oposição de direita) afirmou, por sua vez, que Dominique Strauss-Kahn "não é desejado" no Senado uma vez que degradou "a imagem dos políticos".