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24 May 2013 14h25

Teodora Cardoso: Defesa da flexibilização de défice pode ser "erro estratégico e táctico"

Teodora Cardoso avisa que defender que Portugal não deverá cumprir as metas orçamentais de 2014 pode ser um erro “estratégico e táctico” para um País que conseguiu criar uma reputação de credibilidade na implementação do ajustamento.
 
“Se nos pomos agora a dizer que, após todos os sacrifícios que fizemos, que afinal de contas não conseguimos fazer mais, quando já estamos muito mais perto da meta acho que é um erro estratégico e táctico”, disse, defendendo que “temos que estabelecer uma política e cumprir objectivos que nos permitam ter condições de futuro” e preservar o capital de credibilidade ganho até agora.
 
“Há uma coisa que às vezes não é percebida em Portugal: nós temos internacionalmente uma imagem de cumpridores e não podemos desmantelá-la”, avisou, defendendo que “pôr agora na primeira linha da argumentação que precisamos de aliviar o esforço é tacticamente errado”, afirmou, reconhecendo, contudo, que as metas são “seguramente difíceis”
 
A presidente do CFP falou esta manhã sem ter ouvido as declarações de Passos Coelho que, no Parlamento, admitiu uma flexibilização das metas de défice de 2014. 
 
“Eu não ouvi o primeiro-ministro, mas se disse isso é porque provavelmente já terá conseguido negociá-lo - e se negociou tudo bem”, considerou para sublinhar de seguida que “isso não pode ser visto como uma forma de aliviar o esforço. O esforço tem que ser mantido”, afirmou à margem de uma conferência sobre reforma institucional, organizada pelo Banco de Portugal, pelo Conselho Económico e Social e pelo Fundação Calouste Gulbenkian.
 
A Presidente do CFP considera que após o fim do financiamento garantido pela troika, Portugal tem de assumir que enfrentará “a perspectiva do credor normal, que é querer saber se empresta a quem lhe consegue pagar, ou seja temos de por a economia a funcionar a crescer de maneira a garantir essa capacidade de solvência”, pois não é possível continuar a ter “financiamento em condições de favor” como as actuais. Quem não perceber isso vive uma “ilusão”...
 
Teodora Cardoso não comentou as medidas de incentivo ao investimento anunciadas ontem pelo Governo.