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20 May 2013 17h02

UE alarga investigação por manipulação de preços dos combustíveis a empresas de "trading"

A Comissão Europeia (CE) requisitou informação a pelo menos três empresas de “trading” – a Glencore, Gunvor e Mercuria -, refere o “Financial Times” (FT) esta segunda-feira, 20 de Maio. Contudo, não há suspeita que de as “commodities trading houses” estejam envolvidas na manipulação dos preços dos combustíveis.
 
“São questões muito genéricas. Foi-nos pedida ajuda, como testemunhas”, afirma uma fonte ligada a uma das empresas de “trading” ao FT. “É uma questão de tempo. Todos os que estejam ligados ao comércio de petróleo vão ser inquiridos a prestar informação”, apontou uma outra fonte ligada a outra “trading house”.
 
Na última semana, a CE inspeccionou as sedes da BP, Shell e Statoil bem como os escritórios da Platts, por suspeita de manipulação dos preços dos combustíveis, reminiscente do caso de manipulação da taxa Libor. Bruxelas suspeita de manipulação no reporte de preços junto da Platts, a plataforma mais importante na Europa para a definição dos preços do petróleo e seus derivados. A Platts é uma unidade da norte-americana McGraw-Hill, líder no fornecimento de “benchmarks”.
 
De acordo com um comunicado da CE, as petrolíferas que estão a ser investigadas “podem ter impedido outras de participar no processo de avaliação de preços, com o intuito de publicar preços distorcidos”.
 
Por seu lado, as petrolíferas dizem estar a colaborar com Bruxelas. A Statoil afirmou já que “as suspeitas de manipulação” estão relacionadas com a forma como os preços do petróleo bruto, produtos petrolíferos refinados e biocombustíveis são avaliados pela Platts, através de um processo conhecido como “market-on-close” (indicação para comprar ou vender produtos o mais perto possível do final da sessão) e que pode estar a “acontecer desde 2002”.
 
Bruxelas solicitou ainda informação acerca dos “benchmarks” petrolíferos à Eni e à Neste Oil.
 
As anomalias de fixação de preços que a Comissão está a analisar podem ser pequenas, como alguns cêntimos quando o preço do barril está acima dos cem dólares. Contudo, Bruxelas afirma que “mesmo pequenas distorções de preços avaliados podem ter um grande impacto”, podendo prejudicar os consumidores.