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15 November 2012 11h38

Um segundo resgate "acabará por ser necessário"

O ex-ministro das Finanças, Medina Carreira, acredita que Portugal precisará de um segundo pacote de financiamento externo, embora esta não seja altura certa para o fazer.

“Penso que acabará por ser necessário, mas política e internacionalmente não é altura de falar. Há coisas na política que são para ser tratadas à mesa do almoço e não no meio da rua”, disse à margem do Fórum para a Competitividade.

O economista defende que não é possível corrigir as contas públicas em apenas dois ou três anos, como está previsto no programa. “Aquilo que me chocou mais neste programa é que dois ou três anos para acertar as contas de um Estado falido não é possível. Com seis anos arrumávamos a casa e voltávamos ao nosso caminho, mas dois ou três anos não é possível, nem com este governo nem com outro qualquer”.

Sobre as manifestações mais violentas frente à Assembleia da República, Medina Carreira diz que viu “divertidamente”, mas com algumas preocupações em relação ao crescendo da violência nas reacções populares.

“Vejo aquilo divertidamente, a malta não tem nada que fazer e atira pedradas”, afirma Medina Carreira, acrescentando que vê também “com muitas preocupações” porque “gente a andar às pedradas não é muito desejável”. “Um dia um polícia dá um tiro a um sujeito e depois descontrola-se tudo e ninguém sabe o que fazer. Estamos a caminhar para possíveis incidentes dessa natureza, incidentes inesperados que descontrolam tudo, e é isso que eu receio nas reacções populares”, sublinha.

Quanto às previsões do Banco de Portugal, que apontam para uma recessão de 1,6% em 2013, o economista admite que “não é um quadro muito animador”, mas “parece que é mais realista do que o previsto no Orçamento”.