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09 July 2013 12h29

Vieira da Silva: "Nem todas as empresas em risco devem estar condenadas"

Vieira da Silva, último ministro a tutelar a área nos dois executivos socialistas.
 
 Porque é que os ministros da Economia estão sempre na linha da frente nas remodelações? 
Não é por acaso que o conselho que trata das questões das Finanças se chama Ecofin, e que tem uma acção absolutamente decisiva sobre as políticas económicas, e isso também se passa nos Estados-membros. E por maioria de razão, nos países sob forte stress financeiro. Quais eram os instrumentos que tinham os ministros da Economia no passado? De política cambial, nas políticas proteccionistas e anti-proteccionistas, que agora são europeias. E tinha um peso na atribuição de vários tipos de apoios e incentivos. Todas essas áreas forma sendo reduzidas. Até em algumas áreas regulatórias, que foram passadas para institutos independentes. Em Portugal, só muito recentemente é que os apoios e incentivos dos quadros comunitários se associaram mais directamente ao Ministério da Economia.
 
 Quais devem ser as áreas estratégicas em que o próximo ministro da Economia deve apostar? 
Uma relação com as Finanças, com maior equilíbrio de poderes. Mas sou pessimista face a este ponto, dada a conjuntura que estamos a viver. Em segundo, tem um papel extremamente importante num quadro micro de apoio à nossa estrutura económica. Falo do financiamento, mas também actuar em situações de risco. Deverá ainda ser responsável pelos instrumentos de resposta rápida como o capital de risco, fundos públicos e instrumentos fiscais. Nem todas as empresas em risco devem estar condenadas. Há empresas que devem ser ajudadas, sem que isso prejudique as regras da concorrência. Há ainda áreas sectoriais em que é importante, como a Energia, em que o papel dos poderes públicos é muito relevante e a gestão de fundos de apoio público de apoio ao investimento, como o QREN.
 
 Qual foi o lóbi mais poderoso que enfrentou? Os grupos de pressão têm mais força agora ou na sua época? 
Fui ministro numa época muito específica, na crise de 2009, o problema da conjuntura era tão grande que esse problema não se colocou de forma tão evidente. Também não caí no Ministério de pára-quedas, pelo que já sabia o que me esperava. Acho também que se deve desdramatizar essa questão. Agora é evidente que há sectores bem organizados e com capacidade de fazer ouvir a sua voz, da grande distribuição, até à energia e às telecomunicações. São sectores muito concentrados e onde é mais fácil... Mas também não haverá um lóbi financeiro no nosso país? Não quero ser ingénuo, mas por vezes isso é usado para justificar a inércia.