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24 April 2013 00h33

Zeinal Bava: Portugal deve seguir exemplo de países como Israel e Singapura

"Não podemos comparar-nos só com a Europa. Por que não nos comparamos com a Coreia, o Japão ou os Estados Unidos [da América (EUA)]?", questionou o gestor, apontando para os exemplos de Israel e Singapura, que, apesar da sua dimensão à escala regional, têm as contas públicas controladas.
 
Segundo Zeinal Bava, o sucesso destes países no mundo globalizado, cada qual com as suas especializações, deve-se ao valor acrescentado que conseguem dar aos produtos graças à inovação, bem como o facto de se terem libertado da força dos países que os rodeiam: o mundo árabe, no caso de Israel, e a China e a Malásia, no que toca a Singapura.
 
No caso de Israel, o presidente da PT elogiou o pragmatismo e a capacidade empreendedora, sublinhando que, logo depois dos EUA, é o país do mundo que cria mais 'start ups' (novas empresas). E realçou o peso da componente tecnológica nas exportações.
 
Zeinal Bava discursava num jantar-debate promovido na terça-feira, 23 de Abril, pelo Clube Português de Imprensa, pelo Centro Nacional de Cultura e pelo Grémio Literário, em Lisboa, e falou da sua experiência no comando da PT. "A palavra de ordem na nossa empresa é crescer. E, se possível, estar na liderança dos vários negócios em que operamos", lançou, frisando que a expansão para novos mercados é a chave para atingir esse fim.
 
De acordo com Zeinal Bava, dos 7 mil milhões de pessoas que existem no mundo, há 5 mil milhões de novos consumidores, e é para essa larga fatia da população mundial, grande parte dela concentrada nos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), que as empresas portuguesas devem apontar. "No Brasil houve o milagre Lula, com o surgimento de 60 milhões de pessoas que hoje são consumidores", ilustrou.
 
Quanto à PT, a aposta no Brasil e em África foi "fundamental", realçou o responsável, a par do foco na produtividade que tem permitido à operadora atingir bons resultados e dar boa remuneração aos accionistas.
 
Zeinal Bava exemplificou que, quando chegou à PT, havia demasiado endividamento no balanço da empresa, e que foi decidido refinanciar a dívida com maturidades longas. "Se temos geração de receitas de um 'bi' [mil milhões de euros] e uma dívida de 5 'bis' [5 mil milhões de euros], precisamos de cinco anos para pagar a dívida", sublinhou.
 
E rematou: "Portugal, para resolver os seus problemas, tem que crescer 5% ao ano durante anos. E isso é possível se as exportações crescerem 8% ao ano de forma consistente."