Como explicar a gestão de património aos filhos

Explicar como funciona a gestão de património e o mundo financeiro às crianças ajuda-os a serem mais independentes e estar preparados para a vida adulta. Descubra como o fazer.

 

Basta utilizar a expressão literacia financeira perto de crianças para perder toda a sua atenção. Falar com os filhos sobre dinheiro e gestão de património exige algum tato, paciência e determinação. Mas é um esforço que vale a pena, pois as crianças que contactam com o tema desde cedo desenvolvem uma noção mais exata do valor do dinheiro, a importância de poupar e sobre a gestão de património. Descubra como explicar a gestão de património aos filhos.

 

 

Comece pelos valores

 

Uma conversa sobre dinheiro com os filhos deve incluir a visão familiar das boas práticas de gestão de património. Explique que poupar é importante para si porque, por exemplo, o ajudou a pagar os estudos ou a comprar uma casa. Para os pais que se esforçam em fazer crescer o seu património, é importante que transmitam esses valores aos seus filhos. Mesmo que uma criança não esteja pronta para factos e números, pode entender as decisões que os pais tomam e o impacto que têm.

 

 

Use exemplos reais

 

Considere mostrar aos filhos uma das contas mensais - de eletricidade ou da TV, por exemplo - e explicar de onde vêm os custos. Discutam em conjunto maneiras de reduzir a conta, por exemplo, ao desligar as luzes ao sair de um quarto ou por cancelar um canal premium a que a família raramente assiste. Reveja a conta no próximo mês com os seus filhos para ver como as escolhas de sua família ajudaram a cortar despesas. Pode fazer disso um jogo para ver o quanto conseguem poupar em equipa, com uma recompensa no final.

 

 

Aproveite as oportunidades do dia-a-dia

 

O dia-a-dia oferece inúmeras oportunidades para explicar a gestão de património a crianças de forma prática. É importante aproveitar estes momentos de aprendizagem e introduzir algumas lições sobre dinheiro na vida quotidiana.

 

Comprar um carro, por exemplo, pode ser uma experiência formativa. Deixar que as crianças acompanhem este processo, com as várias opções de pagamento à disposição, ajuda a compreender como funcionam os financiamentos e créditos bancários. Algo que, se não for compreendido de forma prática, pode demorar mais tempo a assimilar.

 

Muitas crianças passam a infância a pensar que comprar algo acontece por magia. Pede-se algo pela internet e as compras, magicamente, aparecem em casa. Por isso é importante aproveitar os momentos do dia-a-dia para aprender, como levar os filhos ao supermercado ou pagar as contas em casa. Explique o que está a fazer. Mesmo se sentir que a criança não compreende totalmente, envolvê-los nessas conversas e em situações básicas sobre dinheiro pode ter um impacto positivo.

 

 

Vá além da mesada

 

A alocação de uma mesada é um dos métodos mais tradicionais para ensinar alguns dos fundamentos de gestão de património aos filhos. É um passo na direção certa, mas tem várias desvantagens em particular o facto de colocar um ênfase excessivo na gestão da despesa: a criança tem um determinado montante para gastar que deve ir gerindo. Esta é uma lição importante, mas que não mostra como é ganho aquele dinheiro nem como gerar rentabilidade a partir das poupanças, duas aprendizagens fundamentais para a vida adulta.

 

Para além da mesada, peça às crianças para fazerem um orçamento simples para mostrar como a irão gastar. E ofereça oportunidades para que os seus filhos possam ganhar algum dinheiro adicional. Incentive-os a trabalhar, para que percebam que é necessário esforço para criar riqueza. Desde tenra idade, ofereça um pagamento por trabalho “extra” em casa e no quintal. Para os adolescentes, promova o trabalho nas férias.

 

Procure também explicar como investir as poupanças com um jogo simples e divertido, e que funcione como primeiro contacto com o mundo financeiro. Por exemplo, deixe ao critério da criança escolher uma parte da mesada para investir em diferentes ativos (ações, obrigações, fundos) e estabeleça um objetivo aliciante – comprar um brinquedo, por exemplo.  Depois, vão acompanhando a evolução do montante investido até atingirem o objetivo. Quando a primeira meta for atingida, defina outra mais ambiciosa, e por aí em diante.

 

 

Falar sobre dinheiro em família

 

Muitas famílias optam por escudar os filhos de conversas sobre dinheiro. Esta estratégia tem vários motivos, desde uma falta de à-vontade com o tema ou por entenderem que a criança não o vai compreender.

 

No entanto, existem vários estudos que mostram a importância de o fazer. Falar de dinheiro em família pode reduzir a negatividade que geralmente envolve as finanças. Afinal, o dinheiro é constantemente citado como o principal fator de stress na vida de um adulto. Falar sobre isso em família pode torná-lo menos intimidante.

 

 

Ensinar a importância da gratificação adiada

 

Pode parecer um conceito complexo para ensinar a uma criança, mas é, segundo os especialistas, uma das mais importantes mensagens a passar.

 

O conceito de gratificação adiada refere-se à virtude da paciência e ao valor de esperar. Esperamos pelo nosso aniversário e pelas férias, por isso também precisamos de aprender a esperar e economizar para o que queremos. Ressaltar que temos que esperar é uma ótima maneira de ensinar a construir algo importante: poupar, com o pensamento nas compensações. Lições simples como ensinar que quem não comprar coisas de que não precisa, consegue poupar para algo que realmente quer.

 

 

Dê o exemplo

 

As crianças procuram nos pais um exemplo de comportamento - e a gestão do dinheiro não é exceção. Ensinar bons hábitos financeiros às crianças é, em parte, dar o exemplo. Partilhe com a criança as expectativas e normas em torno do dinheiro na família, com exemplos fáceis de seguir. Ensine as crianças a consertar as coisas quando se estragam, em vez de as deitar fora. Faça um orçamento quando vai às compras, e cumpra-o.

 

Quando os pais modelam bons comportamentos desde o início, os filhos entendem a gestão do património faz parte do crescimento.

 

 

Partilhe o seu percurso pessoal

 

Muitas crianças aprendem melhor com histórias pessoais, principalmente quando vêm dos pais. São estas experiências, quando repetidas ao longo de anos, que marcam de forma insubstituível. Explique-lhes os episódios financeiros da sua vida, as motivações de cada escolha, os bons resultados e os erros que cometeu. Com total abertura e transparência. E, para além da sua história pessoal, transmita também a das gerações anteriores.

 

Uma criança que compra um brinquedo para o qual poupou nunca esquecerá o esforço que foi necessário para o conseguir. Uma criança que cresce com um pai sempre ausente em trabalho tem maior probabilidade de associar dinheiro à ausência de amor.

 

Os nossos filhos aprendem connosco – quer queiramos ou não, quer os ensinemos ou não. Às vezes as lições são instruções diretas; noutros casos são comportamentos silenciosos. Mas quando não são os pais a explicar aos filhos como funciona o dinheiro e a gestão de património, as crianças são forçadas a criar as suas próprias interpretações, podendo demorar anos até corrigirem a sua perceção, se o conseguirem fazer.

 

A literacia financeira pode não ser o tema mais divertido para abordar com crianças. Mas, mundo em mudança, com tentações de dinheiro fácil a cada clique na internet e com uma transformação do emprego nunca antes vista, pode fazer toda a diferença no seu futuro.

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