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27 maio 2013 10h33

Adube a sua carteira de ações

É a diferença entre o dia e a noite: os dividendos são uma parte fundamental da remuneração dos investidores em ações. Crentes nisso, os analistas da PROTESTE INVESTE aceitaram, há um ano, o desafio de desenhar uma carteira acionista que tivesse os dividendos como critério decisivo na sua formação.
Os preços bolsistas das sete ações eleitas na carteira publicada há um ano, "Invista em ações que dão frutos" (abril de 2012, página 8), avançaram, em média, 10,4% desde então. É um resultado positivo tendo em conta que as ações nacionais, medido pelo PSI-20, escalaram 8,7%, e as ações europeias, segundo o índice Euro Stoxx 50, apreciaram 9,7 por cento. Todavia, contabilizando o recebimento dos dividendos, a rentabilidade da carteira que publicámos há um ano dispara para 19,6%, muito mais distante do desempenho das bolsas portuguesas (14,4%) e europeias (15,0%) quando se incluem os dividendos no resultado. Os dividendos foram o adubo que fez florescer a carteira de ações de boas pagadoras.
A performance das ações foi, inclusivamente, superior à dos fundos de ações que têm os dividendos como critério fulcral de seleção de títulos. O melhor, o Dexia Equities L Europe High Dividend N, distribuído pelo Best Bank, rendeu 18,5 por cento. Pode conhecer esses fundos no quadro da página seguinte.
A construtora portuense Mota-Engil foi a nossa melhor escolha: as suas ações renderam 67,2% neste último ano. Os títulos da francesa Vivendi, a segunda melhor opção, acumularam 34,8 por cento.
Embora os resultados passados não sejam garantia de ganhos no futuro, estes números só nos poderiam levar a repetir a receita. Descubra, abaixo, as nove ações eleitas agora para os investidores que confiam nos dividendos para formar uma carteira de títulos. Esta eleição foi realizada entre as ações que estão baratas, segundo o modelo de avaliação de títulos da PROTESTE INVESTE. Todas elas têm um rendimento esperado do dividendo superior a 7% neste ano. Este indicador resulta da divisão do dividendo esperado por ação pelo preço dessas ações.
Não esqueça de contabilizarCom os investidores focados nas subidas e nas descidas diárias das cotações que surgem nos jornais, é frequente esquecerem-se dos dividendos que receberam quando avaliam o desempenho da sua carteira. No caso da carteira publicada no ano passado, o efeito dos dividendos quase duplicou o rendimento medido apenas pela variação do preço das ações.
O impacto dos dividendos não é de agora. Como pode confirmar na figura em baixo, a contabilização dos dividendos é crucial no apuramento do rendimento médio das ações mundiais na última década. Sem contar com estes dividendos, o índice mostra uma apreciação média de 6,5% por ano.
Incluindo os dividendos, o ganho anual sobe para 9,3 por cento.
Em Portugal, o impacto é mais dramático. As ações nacionais apreciaram, em média, 0,8% por ano na última década, mas, ao incluir os dividendos, a rentabilidade anual sobe para 4,5 por cento. Os dividendos foram fundamentais para colocar os rendimentos dos aforradores acima da inflação e dos depósitos a prazo.
Em todas estas contas, o efeito dos dividendos é contabilizado assumindo que o dinheiro recebido é imediatamente reinvestido nas ações que deram origem a esse rendimento. É uma simplificação (não inclui, por exemplo, a tributação e as comissões cobradas pelos intermediários financeiros), mas dá uma noção muito aproximada do ganho real dos investidores. É o designado "rendimento global de uma ação".
Sinal de saúde financeiraAo contrário de outras aplicações financeiras, como depósitos ou obrigações, quando um investidor decide comprar uma ação, está a comprar uma parte de uma sociedade. É coproprietário da empresa e tem direito aos seus resultados. Os lucros podem ficar nos cofres da firma para investir, diminuir a dívida ou para satisfazer necessidade futuras, mas também podem ser distribuídos pelos acionistas. Se a tesouraria da sociedade estiver a funcionar bem, os dividendos podem ser generosos, porque não é preciso reter muitos resultados. Assim, a distribuição de dividendos é, por norma, um sinal de que as finanças da empresa estão de boa saúde.
Não é preciso ser acionista durante um determinado período de tempo para se ter direito ao dividendo. De facto, basta que possua as ações no final da sessão anterior ao chamado dia de ex-dividendo. Este dia é o primeiro em que as ações negoceiam sem direito ao próximo dividendo a ser pago. Ocorre, regra geral, três dias úteis antes do pagamento do dividendo. Ou seja, para ter direito a receber o encaixe na sua conta basta que no final do quarto dia útil anterior ao pagamento do dividendo seja acionista da empresa.
Quando uma firma distribui dividendos há uma saída de valor da empresa para o acionista, por isso a cotação das ações tende a descer num montante equivalente a esta saída de capital das contas da empresa. Se isso acontecer, para o acionista (excluindo os efeitos fiscais), o seu património fica inalterado: o que a ação cai na bolsa é o que ele ganha através dos dividendos.
A queda das cotações na bolsa ocorre no dia de ex-dividendo, que é o dia em que os investidores ajustam os preços a que estão dispostos a comprar as ações, que agora já não têm direito ao dividendo que será pago uns dias depois.
Deste modo, não compensa comprar uma ação para ter direito ao dividendo e vendê-la no dia imediatamente seguinte. Em termos teóricos, não registará qualquer ganho e terá uma perda equivalente ao efeito fiscal e aos custos de negociação na bolsa. Na prática, a cotação poderá variar por outros motivos alheios à distribuição de dividendos, o que poderá ser benéfico ou prejudicial para esta estratégia. O princípio que defendemos para investir em ações mantém-se: não invista a pensar no curto prazo, incluindo apenas nos dividendos que receberá nos próximos dias ou semanas.
 
Rendimentos do dividendo descem Desde o artigo publicado o ano passado na PROTESTE INVESTE, o rendimento esperado dos dividendos desceu. Há 1 ano, a Portugal Telecom tinha um rendimento de 17,4 por cento. Na lista deste ano, que pode conhecer na página ao lado, a companhia telefónica portuguesa oferece um rendimento do dividendo de 8,4 por cento.
O efeito da subida generalizada das cotações das ações, aliado às dificuldades de acesso ao crédito, leva a que as remunerações