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09 julho 2013 12h58

Bagão Félix diz que Passos e Portas acordaram "um verdadeiro Governo de coligação"

"A solução é melhor, é menos ortodoxa, é mais global, é mais gregária, como deve ser um Governo de coligação. Em que há um respeito pelos dois partidos, em que há um maior e menor, em que o maior tem que ter mais peso, mas o menor não pode ser uma espécie de 'sidecar', sem travões, sem guiador, sem embraiagem", afirmou em declarações aos jornalistas à margem da Conferência "Processo da Reforma do Estado -- O Estado Social e o Crescimento Económico", promovida pela CIP - Confederação Empresarial de Portugal, que hoje decorre em Lisboa.
 
Uma "segunda vantagem" percebida por Bagão Félix na solução proposta pelo primeiro-ministro ao Presidente da República -- e que aguarda a decisão de Cavaco Silva -- prende-se com a possibilidade deste Governo reformulado passe a poder "olhar para a 'troika', não na perspectiva de um Estado serventuário, mas de um Estado que sabe discutir com a 'troika' e que pode impor também algumas alterações, algumas regras, como temos visto com outros países, com algum sucesso".
 
Esta não é, no entanto, a solução que o ex-ministro das Finanças de Durão Barroso e Paulo Portas considera mais adequada para a gestão da actual situação política e financeira do país.
 
"Esta é uma solução melhor do que a das eleições antecipadas, mas sou cada vez mais defensor de um Governo com os três partidos, PSD, PS e CDS", disse.  
 
"E esta solução, pelo menos face a outra de que se falou -- a de eleições antecipadas -- é melhor", acrescentou. "Porque iríamos ter o próximo Orçamento do Estado em Janeiro ou Fevereiro, como era pedir uma moratória ou uma situação de pousio aos nossos credores", acrescentou.
 
O economista chamou a atenção para o facto de "esta semana" apenas ter produzido "uma série de consequências nos mercados, a nível das expectativas, a nível da bolsa".
 
"Só numa semana", reforçou. "Imagine-se o que era nos próximos meses não haver governo ou haver um governo de gestão. Nesta situação, Portugal não pode ter um governo de gestão, seja ele qual for, a não ser numa situação absolutamente de ruptura e dramática", concluiu.
 
Instado a qualificar a atitude do líder do CDS, cuja demissão levou à crise política criada, Bagão Félix chamou a atenção para o facto de "o ato de demissão" de Paulo Portas ter apenas seguido "o acto de demissão que parece que estamos a esquecer, de Vítor Gaspar". "Aí é que tudo começou", sublinhou.
 
"Não faz muito sentido que Vitor Gaspar se demita na fase final de preparação do Orçamento, a quinze dias da 8ª avaliação da 'troika'. Esse é que me parece ser o momento crítico".
 
Quanto a Paulo Portas, quando Bagão Félix falar com ele irá dizer que "errou num ponto que em política é fundamental: É que nunca se deve dizer nunca ou que uma situação é 'irreversível'. Porque a única situação que é irreversível, para além do pagamento de impostos, é a morte".