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29 maio 2013 11h22

BCE deve cobrar juros negativos nos depósitos dos bancos e comprar dívida de todos os países

O Banco Central Europeu (BCE) deve ir mais longe na acomodação da sua política monetária, devendo ponderar aplicar taxas de juro negativas aos depósitos que lhe são confiados pelos bancos, de modo a estimular os empréstimos interbancários. A autoridade monetária do euro deve ainda, à semelhança dos seus congéneres nos Estados Unidos e Japão, avançar com programas de compra de activos. 
 
As recomendações são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que antecipa que a Zona Euro sofra neste ano uma recessão mais profunda (PIB conjunto deve cair 0,6%, em vez de 0,3%) e prossiga em 2014 com uma actividade económica travada.,
 
 
"O BCE devia adoptar uma taxa de depósitos negativa, levando a taxa 'overnight' [para transacções interbancárias de muito curto prazo] abaixo de zero", lê-se no relatório divulgado nesta quarta-feira, 29 de Maio, que acompanha o novo quadro de previsões macroeconómicas da organização sedeada em Paris.
 
No início deste mês, o BCE baixou a taxa de juro directora para mínimos históricos, 0,50%, e esmagou para 0% a taxa de depósitos paga aos bancos.
 
A OCDE refere ainda que "a expansão de compra de activos é desejável", ainda que sejam "complicadas" de executar na prática. Entre estas opções, a OCDE destaca "a compra de empréstimos securitizados pelas pequenas e médias empresas [que] podia ajudar os fluxos de caixa destas empresas e aliviar as pressões dos balanços dos bancos, mas implica um enquadramento institucional para proceder à securitização de forma a que [as empresas] não esteja demasiado susceptíveis a problemas de informação assimétrica e de riscos morais".
 
A uma escala mais alargada, sugere a Organização liderada por Angel Gurria, o BCE podia considerar a compra de dívida pública de todos os membros da zona euro "numa base não discriminatória" para efeitos de política monetária.
 
Uma medida deste tipo, explica a OCDE, "seria diferente de activar o programa OMT [de compra de dívida pelo BCE], que é baseado em condicionalidade".
 
No entanto, a OCDE alerta que ter dois programas para intervir no mercado de dívida pública, ainda que com propósitos diferentes e com e sem condicionalidade, iria exigir uma "comunicação cuidadosa" da operação.
 
A Organização sugere ainda que o BCE comece a comprar títulos de dívida das empresas para fornecer incentivos directos aos bancos para aumentarem a concessão de crédito à economia.
 
A OCDE recomenda ainda que a Reserva Federal (Fed) norte-americana comece "uma redução gradual da dimensão das compras adicionais de activos" e entende que, no caso do Japão, "um novo estímulo [monetário] pode ser justificado", tendo em conta a deflação e as perspectivas de contracção do crescimento quando a consolidação orçamental arrancar, em 2014.