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18 outubro 2023 14h39

Cabaz isento de IVA baixou 4,15% em meio ano, mas há produtos que encareceram 50%

O preço do cabaz de 41 alimentos isentos de IVA monitorizado pela Deco Proteste, de um universo de 46 abrangidos pelo corte do imposto, baixou 4,15% desde a entrada em vigor da medida há seis meses, mas há produtos que encareceram significativamente como é o caso das laranjas e dos brócolos que escalaram 50%.

Segundo a associação de defesa do consumidor, o cabaz de 41 produtos custa hoje 133,01 euros, ou seja, menos 5,76 euros do que na véspera da entrada em vigor da medida, a 18 de abril.

Para esse resultado contribuíram as descidas de preço nas categorias de peixe (-10,10%), laticínios (-6,02%) e carne (-5,62%), contrabalançadas, porém, pelos aumentos da fruta e legumes (+3,72%) e congelados (+3,65%).

Apesar da diminuição do valor do cabaz em geral, foram identificadas subidas expressivas em vários produtos, como os brócolos, cujo preço por quilo aumentou 1,21 euros para 3,61 euros, traduzindo um "salto" de 50%. A segunda maior variação, na mesma ordem de grandeza, verificou-se nas laranjas que encareceram 0,68 euros por quilo.

A fechar o pódio surge o azeite virgem extra que está 1,51 euros, ou 20% mais caro do que antes da redução do IVA de 6% para 0%.

Do "top 10" dos alimentos que encareceram desde a isenção do imposto figuram essencialmente frutas e legumes, caso da couve-flor (+10%) ou da maça (+8% no caso da Golden e +6% no da Gala), das ervilhas ultracongeladas (+4%) ou da batata vermelha (+3%), de acordo com os dados compilados pela Deco Proteste. Já o pão de forma sem côdea e o iogurte líquido sofreram aumentos de 2% e de 1%, respetivamente.

Apesar da descida, incluindo também na comparação com a semana anterior (a 11 de outubro custava 133,58 euros), o preço do cabaz monitorizado pela Deco Proteste não só é um dos mais elevados desde abril, como os dados mostram que segue uma trajetória de alta, salvo algumas oscilações, nas últimas semanas, particularmente desde o início de setembro.

A isenção do IVA tinha duração prevista de seis meses, mas o Governo decidiu prorrogá-la, por mais dois, até ao final do ano.

Já em 2024, à luz da proposta do Orçamento do Estado, a medida cai, dando lugar a uma política mais "dirigida", em concreto, para as famílias mais vulneráveis, com as verbas a serem canalizadas para um "reforço adicional" dos apoios sociais atualmente destinados a 1,5 milhões de beneficiários.