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13 maio 2013 09h47

Cadilhe: "No governo há quem apareça como a formiga" e há "quem não trabalhe e cante"

Miguel Cadilhe criticou fortemente a divisão que se instalou nos partidos da coligação no Governo, com as palavras mais duras a irem para o CDS-PP.
 
“A aparência é que no governo há quem apareça como a formiga, que trabalha, que aparece com as medidas duras e impopulares, e há quem não trabalhe e cante, que é a cigarra, que aparece depois a dizer de outra forma e a tentar mostrar que não pensa assim ou não faria assim”, disse Cadilhe, sem nunca nomear quem acha que é a formiga e a cigarra no Governo, mas deixando claro que está a criticar Paulo Portas.
 
“Isto é o pior do ponto de vista de imagem politica que o governo pode dar a um país que está em época de sacrifício”, afirmou na Rádio Renascença.
 
O pacote de reduções permanentes na despesa pública em 2014, acordado com a troika, incluirá a contribuição de sustentabilidade do sistema de pensões - conhecida por "TSU dos pensionistas" -, uma medida que o líder do CDS-PP, o segundo partido da coligação, tinha classificado como uma fronteira que não poderia ultrapassar.
 
Cadilhe considera que “nestes dias tivemos claramente um excesso de um dos lados da coligação”, o que “não é bom para a coligação e sobretudo não é bom para o país”.
O ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva admite que “depois deste excesso, haja uma moderação e uma reponderação no modo de estar na coligação”, pois “chegou-se para lá dos limites do razoável e da coabitação política.
 
Presente no mesmo programa da Renascença, o ex-ministro da economia Daniel Bessa afirmou que Paulo Portas “já não engana ninguém”, mas vai tentando seduzir os portugueses”, sendo que “enquanto os votos forem o que têm sido, o CDS pode estar a tornar-se num partido de governo permanente”.
 
Miguel Cadilhe falou ainda sobre a situação do actual ministro das Finanças, considerando que vai ser “muito difícil” substitui-lo, caso seja necessário. “Não só porque ele reúne algumas qualidades, e na vertente externa, sobretudo, ele é muito bem visto”, disse Cadilhe, afirmando que por outro lado, “uma pessoa com qualidades, com capacidades, e capaz de gerir o Ministério das Finanças nesta actual situação, vai ser muito difícil encontrar e encontrando vai ser muito difícil dizer que sim” a um convite para o cargo.
 
“Por todas as razões devemos demonstrar consideração pelo ministro das Finanças”, acrescentou.
 
Já Daniel Bessa afirmou que o ministro das Finanças “sempre esteve bem”, porque sempre disse que só ia gastar o “dinheiro que havia na gaveta”.