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14 maio 2013 15h35

Carlos Costa: "É preciso reduzir a percepção de risco" das PME

O Governador do Banco de Portugal reconhece que as PME estão a enfrentar maiores dificuldades no acesso ao crédito e que isso resulta de os bancos, com razão, as considerarem mais arriscadas. Carlos Costa defende que é importante resolver este problema, ou através de mecanismos de garantia, ou reforço de capitais próprios destas empresas. O governador não foi claro que se actuação do BdP ou do BCE poderiam assistir a essa melhoria de condições de crédito.
 
Os bancos estão “muito atentos” a factores ligados com “percepção de risco”, afirmou o Governador na conferência de imprensa em que apresentou os resultados do banco central em 2012, justificando assim a distinção entre desempenho do crédito concedido às grandes e às pequenas e médias empresas, sendo as PME prejudicadas pelo maior risco que comportam.
 
Para Carlos Costa, “é preciso diminuir a percepção de risco” destas empresas, “ou através da concessão de garantias ou reforço de capitais próprios”. Lembrando que as empresas portuguesas são também das mais endividadas da Europa, pelo que poderá fazer sentido também a ponderação de “outras formas de financiamento, nomeadamente empréstimos subordinados”.
 
No debate europeu sobre a fragmentação financeira da Zona Euro tem estado em cima da mesa a possibilidade do Banco central Europeu, em articulação o Banco Europeu de Investimento, comprarem dívida de empresas para assim baixarem juros. Esta hipótese não foi referida por Carlos Costa.
 
“Neste momento o investimento está muito afectado” pelo contexto externo e interno, justificando assim a menor procura de crédito em Portugal. “Há falta de procura porque há falta de perspectivas de mercado”, continuou o Governador, que salientou no entanto que, “apesar de baixo, o crédito às empresas do sector exportador continua a crescer”.