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25 abril 2013 12h44

Cavaco Silva: "É indiscutível que se instalou na sociedade uma fadiga de austeridade"

“É indiscutível que se instalou na sociedade portuguesa uma ‘fadiga de austeridade’, associada à incerteza sobre se os sacrifícios feitos são suficientes e, mais do que isso, se estão a valer a pena”. Para o Presidente da República, estas são “interrogações legítimas, que todos têm o direito de colocar”. A execução do programa “tem revelado consequências gravosas”, que se “fazem sentir duramente no dia-a-dia dos portugueses”, principalmente junto dos que “não têm emprego”.
 
Apesar de haver resultados positivos, como a redução do défice estrutural, “não podemos esquecer que uma parte do ajustamento das contas externas se está a realizar por via da redução das importações, devido à quebra acentuada da procura interna, fruto, em boa medida, da redução de rendimento disponível das famílias”, alertou o Presidente, no discurso que efectuou na sessão solene comemorativa do 25 de Abril, no Parlamento.
 
Cavaco Silva destacou o “sentido de responsabilidade dos portugueses”, que deram mostras de “maturidade cívica” e “espírito de coesão nacional”. E é precisamente por aí que os partidos devem encarreirar. “Do mesmo modo que não se pode negar o facto de os portugueses estarem cansados de austeridade, não se deve explorar politicamente a ansiedade e a inquietação dos nossos concidadãos”, sublinhou Cavaco, sendo aplaudido pelas bancadas da maioria.
 
É preciso cumprir as metas do tratado, governe quem governar
 
“Portugal não está em condições de juntar uma grave crise política à crise económica e social em que está mergulhado. Regrediríamos para uma situação pior do que aquela em que nos encontramos”, assegurou. Cavaco apelou com insistência ao consenso. “É essencial alcançar um consenso político alargado que garanta”, no período pós-troika,  “que quaisquer que sejam as concepções político-ideológicas, quaisquer que sejam os partidos no Governo”, o País “adoptará políticas compatíveis com as regras fixadas no Tratado Orçamental que Portugal subscreveu”.
 
Para o Presidente, “se se persistir numa visão imediatista, se prevalecer uma lógica de crispação política em torno de questões que pouco dizem aos portugueses, de nada valerá ganhar ou perder eleições, de nada valerá integrar o Governo ou estar na oposição”.
 
Uma declaração forte que gerou desconforto nas bancadas da esquerda, especialmente do PS. Os deputados socialistas estiveram quase todo o discurso com o rosto fechado, manifestando por vezes alguma incredulidade face ao que o Presidente afirmava.