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24 maio 2013 01h27

Christine Lagarde ouvida durante 12 horas pela justiça francesa

O Tribunal de Justiça da República Francesa está a analisar o seu envolvimento, enquanto ministra das Finanças, em 2007, na decisão de pagar 400 milhões de euros ao controverso empresário Bernard Tapie.
 
O FMI já expressou apoio à sua dirigente, com o porta-voz, Gerry Rice, a declarar: "A comissão executiva foi informada do assunto e continua a expressar a sua confiança na capacidade da sua directora-geral continuar a exercer as suas funções".
 
Lagarde, de 57 anos, saiu do tribunal na quinta-feira, ao fim de 12 horas de interrogatório. "Até amanhã", disse aos repórteres, ao abandonar o edifício.
 
As acusações criminais contra Lagarde podem marcar o segundo escândalo sucessivo a envolver o dirigente máximo do FMI, depois do seu antecessor, o também francês Dominique Strauss-Kahn, ter resignado em desgraça em 2011 depois de uma alegada agressão sexual a uma trabalhadora de um hotel em Nova Iorque.
 
O aparecimento de Lagarde em tribunal ocorre um dia depois de a primeira mulher a liderar uma instituição considerada um pilar do sistema financeiro internacional ter sido considerada a sétima mulher mais poderosa do mundo pela revista Forbes.
 
Tapie, um ex-político, foi preso por ter falsificado resultados desportivos durante a sua presidência do clube de futebol Olympique de Marselha. Os procuradores suspeitam que ele recebeu tratamento preferencial em troca do apoio a Nicolas Sarkozy, nas eleições presidenciais de 2007. Investigam, em particular, se Lagarde, que na altura era ministra das Finanças, teve alguma responsabilidade nas "numerosas anomalias e irregularidades" que podem conduzir a acusações de cumplicidade em fraude e apropriação indevida de fundos públicos.
 
A investigação centra-se na sua decisão de 2007 de solicitar a um painel que arbitrasse uma disputa entre Tapie e o colapsado banco Credit Lyonnais, parcialmente público, sobre a sua venda, em 1993, do grupo empresarial desportivo Adidas.
 
Tapie acusava o Credit Lyonnais de o ter enganado, ao subavaliar conscientemente a Adidas quando a vendeu, e exigiu que o Estado, enquanto principal accionista, o compensasse.