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03 julho 2013 09h24

Instabilidade em Portugal mergulha bolsas europeias no vermelho e penalizada dívida dos periféricos

A situação política em Portugal está a repercutir-se na negociação das bolsas e dívida por toda a Europa. O clima de instabilidade em torno da continuidade do Executivo liderado por Passos Coelho lançou o pânico nos mercados, levando as praças europeias a registarem quedas superiores a 1% e os juros dos restantes países periféricos a dispararem.
 
A bolsa portuguesa está esta manhã a transaccionar com uma desvalorização superior a 6%, a maior queda intradiária desde Abril de 2010, enquanto os juros da dívida pública portuguesa a 10 anos disparam 125 pontos base, para 7,972%, depois de já terem estado a transaccionar acima dos 8%. Trata-se do valor mais elevado desde o passado mês de Dezembro.
 
A determinar este comportamento estão os recentes desenvolvimentos políticos em Portugal, com o pedido de demissão do ministro Paulo Portas a desencadear uma verdadeira crise política e a deixar o Executivo de Passos Coelho próximo da ruptura.
 
Esta instabilidade trouxe novamente o pânico aos mercados, com os investidores a evitarem os activos de maior risco, como é o caso das acções e da dívida dos países mais endividados da região.
 
As bolsas europeias acumulam perdas próximas dos 2%, com a vizinha Espanha a ser o país na Europa mais pressionado pela crise em Portugal. O Ibex afunda 2,78%, com os investidores a recearem que a situação de incerteza se alastre a outros países.
 
Também os juros dos países periféricos estão a ser contaminados pela instabilidade política em Portugal. Grécia é o país onde as “yields” registam a maior subida, com os juros das obrigações gregas a 10 anos a dispararem 37,5 pontos base, para 11,473%.
 
Já em Espanha, as “yields” a 10 anos sobem 15,7 pontos base, para os 4,781%, enquanto que a dívida italiana está a subir 13,7 pontos base, para 4,576% na mesma maturidade.
 
A expectativa de que os ministros do CDS/PP apresentem durante o dia de hoje a sua demissão, à semelhança do que aconteceu ontem com Paulo Portas, colocando fim à coligação com o Governo, deixando Passos Coelho numa situação ingovernável, está a afundar as acções da banca, com BES e BCP a tombarem até 17%.
 
Este revés da situação política em Portugal está a assustar os investidores, que temem que o país não cumpra as metas acordadas com a Troika e a crise contamine os restantes países da periferia.