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25 abril 2013 10h07

Jornal de Angola ataca "elites corruptas e ignorantes de Lisboa"

Depois de saudar o Movimento das Forças Armadas, que faz hoje 39 anos que derrubaram a ditadura portuguesa, o Jornal de Angola destaca que "os angolanos não vão esquecer nunca" que os militares portugueses se juntaram aos três movimentos de libertação, MPLA, FNLA e UNITA "na luta pela liberdade, pela Independência Nacional e pela democracia".
 
Em seguida, partindo da tese da "aliança fraterna" entre a luta dos movimentos de libertação e do MFA, que "resgatou a dignidade e a liberdade" dos povos angolano e português, o editorial garante que "por muitos ventos contrários que soprem de Lisboa, por muitas punhaladas que as elites ignorantes e corruptas portuguesas desfiram nos nossos Povos, jamais conseguirão pôr-nos de costas voltadas".
 
Segundo o Jornal de Angola, as "elites ignorantes e corruptas de Lisboa (...) preferem dar as mãos a gente de baixa categoria, que vive da mentira, da difamação e do embuste".
 
Essa opção tem um preço, e o Jornal de Angola destaca-o: "Com isso é a cooperação bilateral que sai prejudicada e não é de estranhar que seja em Madrid, e não em Lisboa, que hoje se realiza um grande fórum de investidores europeus interessados em Angola".
 
Com efeito, a manchete do jornal destaca que "Espanha afasta Portugal na corrida para Angola" e assinala a realização em Madrid de uma "grande reunião de investidores".
 
O editorial refere ainda que "muitos homens de negócios da Europa começam a ver que a falta de visão de Lisboa está a atrasar e prejudicar os seus investimentos em Angola".
 
E referindo-se às cerimónias oficiais que decorrem hoje na Assembleia da República, em Lisboa, o diário angolano lamenta a ausência dos heróis do 25 de Abril de 1974 e de dirigentes nacionalistas das ex-colónias africanas portuguesas.
 
O editorial de hoje é publicado quatro dias depois de, também em editorial, o director do Jornal de Angola, José Ribeiro ter criticado duramente a recente condenação de Maria Eugénia Neto, viúva do primeiro Presidente angolano, António Agostinho Neto, no Tribunal Criminal de Lisboa pelo crime de difamação.
 
Maria Eugénia Neto foi condenada por difamação agravada contra a queixosa Dalila Mateus, co-autora do livro Purga em Angola.
 
O livro refere-se a acontecimentos ocorridos no dia 27 de maio de 1977 e nos anos que se seguiram ao movimento liderado por Nito Alves, opositor de Agostinho Neto, contra o rumo que o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) então seguia.