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20 junho 2013 15h14

Juros da dívida portuguesa agravam-se para subidas superiores a 30 pontos base

As taxas de juro associadas à dívida pública portuguesa continuam a agravar as subidas na sessão desta quinta-feira. O comportamento positivo das “yields”, que mostra uma quebra do preço das obrigações, é semelhante ao que ocorre noutros mercados, como os países periféricos mas também como a Alemanha.
 
O presidente da Reserva Federal norte-americana, Ben Bernanke, afirmou que, caso a economia evolua como prevê, o programa de estímulos à economia poderá terminar "em meados de 2014", com algum recuo já este ano.
 
O presidente da Fed usou a analogia de um automóvel para dizer que a Fed poderá "levantar o pé do acelerador à medida que o carro ganha velocidade, o que é diferente de carregar no travão". Para já, a Fed vai continuar a adquirir 45 mil milhões de dólares de títulos do Tesouro e 40 mil milhões em títulos securitizados de dívida hipotecária, os quais Bernanke garantiu que não serão vendidos no mercado à medida que a Fed abandona o programa.
 
Estas declarações de Bernanke estão a provocar uma fuga dos investidores do mercado obrigacionista, seja de periféricos como de países do centro europeu e ainda dos Estados Unidos.
 
Portugal é um dos países onde o avanço das taxas de juro associadas às obrigações soberanas é mais significativo, dada a fragilidade em que ainda se encontra a sua economia. Esta subida das rendibilidades pedidas pelos investidores reflecte uma descida do preço.
 
A taxa de juro implícita à dívida portuguesa a dez anos sobe 35,2 pontos base para se fixar nos 6,4%, anulando a recuperação que tinha conseguido nas restantes sessões da semana. Ontem, esta taxa estava pouco acima dos 6%.
 
A dois anos, o avanço da “yield” é de 27 pontos base para os 3,5% ao passo que, no prazo a cinco anos, o agravamento é de 38 pontos base para 5,4%, de acordo com as taxas genéricas disponibilizadas pela Bloomberg.
 
Ainda assim, os valores alcançados esta quinta-feira não superam as taxas registadas na semana passada. O mesmo não acontece em mercados como o da dívida espanhola e italiana, onde as “yields” seguem em máximos de meados de Abril.
 
As rendibilidades exigidas pelos investidores para trocar dívida italiana sobem mais de 20 pontos base em praticamente todos os prazos, sendo que, a dez anos, a taxa se encontra em 4,5%.
 
A Alemanha, que é visto como o mercado de refugio no mercado obrigacionista, também verifica uma subida das “yields”, o que mostra que há uma fuga dos investidores face a estes activos, com o receio de que as medidas de estímulo à maior economia do mundo venham a ser calibradas já este ano.