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04 julho 2013 15h59

Juros de Portugal afundam com palavras de Draghi e expectativa de acordo político em Portugal

As taxas de rendibilidade associadas aos títulos da divida pública portuguesa estão a registar fortes quedas, sobretudo nas maturidades mais longas, numa sessão que tem sido marcada por movimentos muito erráticos.
 
A dez anos, as “yields” recuam quase 25 pontos base para 7,221%. Ontem, chegaram a estar neste prazo acima de 8% - acima, portanto, do nível de 7% que ficou associado aos resgates na Zona Euro. Nos títulos a cinco anos, a rendibilidade está a baixar quase 15 pontos base, para 6,522%.
 
Nos prazos mais curtos, a pressão sobre os juros da dívida é agora também menor. Mas as “yields” permanecem acima dos valores de fecho de ontem no caso dos títulos a dois e três anos: 5,311% (27 pontos base acima do fecho de ontem) e 5,961% (mais 11 pontos), respectivamente.
 
A descida destes indicadores que sinalizam o custo de financiamento futuro dos Estados observa-se na generalidade dos países do euro, designadamente entre os da periferia, sendo a Grécia a principal excepção. Este movimento acentuou-se com a revelação de Mário Draghi de que o Banco Central Europeu (BCE) tenciona manter as taxas de juro de referência “no nível actual [0,5%] ou mais baixo durante um extenso período”. É a primeira vez que o BCE fornece sinais tão claros aos mercados sobre o rumo da política monetária.
 
No caso de Portugal, a volatilidade das taxas de juro da dívida pública estará também relacionada com a crise política e com as negociações em curso  - vão já na terceira ronda - entre o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, ministro demissionário de Estado e dos Negócios Estrangeiros e líder do segundo partido da coligação.
 
Questionado por uma jornalista em Frankfurt, onde decorreu a reunião mensal do conselho de governadores do BCE, Mário Draghi, seu presidente, recusou-se comentar a actualidade política portuguesa, mas teceu grandes elogios ao país, ao agora ex-ministro Vítor Gaspar e também à sucessora, Maria Luís Albuquerque.
 
“Tem sido um caminho doloroso e os resultados que foram alcançados têm sido muito significativos, notáveis, se não mesmo extraordinários. Devemos dar crédito ao Governo, designadamente ao ministro Gaspar que acaba de se demitir. Estamos certos de que com a nova ministra, pela sua personalidade, pelo acompanhamento que fez – ela tem sido presença contante no Eurogrupo – Portugal está em boas seguras”, disse Draghi.