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03 julho 2013 15h43

Morsi não se demite e vai defender a sua legitimidade com o próprio sangue

O ultimato feito pelas Forças Armadas egípcias chega ao fim na tarde desta quarta-feira. Mas Morsi resiste. O presidente do Egipto rejeitou na última noite a possibilidade de se demitir, ignorando o aviso dos militares.
 
“Se o preço para salvaguardar a legitimidade é o meu próprio sangue, estou disposto a sacrificá-lo”, afirmou Mohamed Morsi num discurso de 45 minutos ao País, emitido pela televisão pública, cita a Bloomberg. “Não há alternativa à legitimidade constitucional”, sublinhou Morsi.
 
Esta tarde, com o expirar do prazo do ultimato, o povo egípcio voltou a ocupar a Praça Tahrir e o exército assumiu o controlo da televisão pública, dispensando os funcionários não essenciais ao funcionamento da emissora. O chefe da Forças Armadas e ministro da Defesa, Abdel Fattah al-Sissi está reunido com os líderes do exército, num encontro onde representantes da oposição também marcam presença. De acordo com fontes do exército, citadas pela AFP, está a ser debatido um plano de transição política. O exército esclareceu, no decorrer dos últimos acontecimentos, que não existe nenhuma hora prevista para uma declaração oficial ao país, negando rumores que circulavam.
 
Na última noite, após o discurso do presidente do Egipto, 16 civis morreram e cerca de 200 ficaram feridos em confrontos junto à Universidade do Cairo, refere a Reuters. As vítimas eram na sua maioria apoiantes de Morsi.
 
Também no seguimento das declarações de Morsi, a emblemática Praça Tahrir e a área circundante ao palácio presidencial foram ocupadas pelos opositores do presidente. Entre os gritos de ordem que se ouvia o mais sonante era “sai”. As forças de segurança tiveram de mobilizar reforços para as imediações da praça.
 
Em reacção à posição de Morsi, o exército, que já afirmou não estar a intentar um golpe militar, declarou defender o Egipto e o seu povo até às últimas consequências. “Juramos por Deus que nos sacrificaremos pelo Egipto e pelo seu povo, daremos o nosso sangue para combater todos os terroristas, extremistas e loucos”, refere um comunicado emitido pelo Conselho Supremo das Forças Armadas através da página oficial no Facebook, em reacção à rejeição de Morsi.
 
Já a oposição disse que o presidente “perdeu a cabeça”. “Pedimos ao exército que proteja as almas dos egípcios depois de Morsi ter perdido a cabeça e ter incitado a um banho se sangue entre egípcios”, afirmou o Al-Dustour, partido da oposição, num comunicado citado pela Reuters.
 
Por seu lado, a Irmandade Muçulmana, apoiante do presidente, disse, através do seu porta-voz, que os membros estavam dispostos a tornar-se mártires para defender Morsi.
 
Morsi está cada vez mais entre a espada e a parede. A par das demissões no Governo que têm ocorrido nos último dois dias, também os seus aliados islâmicos o têm estado a pressionar. O grupo islamita Gamaa Islamiya, um dos principais aliados de Mohamed Morsi, tem aconselhado o líder egípcio a convocar eleições antecipadas desde que as Forças Armadas lançaram o ultimato, de maneira a evitar um golpe militar e um banho de sangue popular.
 
No último domingo milhares de egípcios saíram às ruas para reivindicar a demissão de Morsi. Segundo os números do Ministério do Interior, terão sido entre os 13 e os 17 milhões os manifestantes.
 
No seguimento da manifestação popular, as Forças Armadas fizeram um ultimato a Morsi para que partilhe o poder com a oposição e deram 48 horas a Morsi para resolver a situação política. Caso o presidente não aceitasse, o exército avançaria com um “plano para o futuro”.
 
(Notícia em actualização)